segunda-feira, 25 de junho de 2018

Ressurreição ou Reencarnação?

Nos últimos tempos tenho sido questionado sobre este tema, neste sentido gostaria de partilhar convosco o meu pensamento à cerca do mesmo. Não é uma tentativa de dissuadir ninguém, mas antes um esclarecimento de porque é que um Cristão não acredita na Reencarnação.

Quando rezarmos pelos nossos ente- queridos , somos convidados a renovar a fé num artigo que é fundamental para nossa vida cristã e que nos diferencia de outras expressões religiosas. A cada dia, na Eucaristia, na meditação da Palavra de Deus, na oração pessoal e comunitária, no exercício da caridade e na celebração da vida, precisamos renovar a nossa fé. A fé é um dom de Deus. É uma graça. Deus confiou-nos este tesouro. Assim como a vida, Deus nos dá a fé, e espera que nós cuidemos bem, tanto do dom da vida, como do dom da fé.


É bastante comum ouvirmos as seguintes perguntas: Ressurreição ou Reencarnação? Ou ainda: é possível acreditar nas duas coisas? Ou Um católico pode ser espírita? 

Diante disto, vamos refletir um pouco mais sobre este tema de grande importância, de modo especial, para nós que queremos ver e seguir Jesus, conhecendo e testemunhando o Seu Evangelho para o mundo e para a humanidade. Nós não podemos “fugir” de temas complexos e nem vivermos como se estas questões não existissem. Pela reflexão podemos aprofundar ainda mais a nossa fé. Pelo estudo temos a oportunidade de tornar a nossa fé ainda mais cristalina.

Lendo e meditando, atentamente a Bíblia, em nenhum capítulo e em nenhum versículo, do Génesis ao Apocalipse, encontramos qualquer referência que indique a possibilidade da reencarnação. Fazendo um estudo sério da Bíblia, sem nos deixar influenciar por “leituras tendenciosas” ou interpretações deturpadas, não encontramos nenhum parecer favorável a esta doutrina. Pelo contrário, pelos lábios de Jesus, nos é ensinado: “Eu sou a Ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11, 25).  nasce e morre uma única vez. Por isso precisamos viver bem cada instante da nossa história. Depois da morte, vem a Ressurreição: a Vida Eterna! Na carta aos Hebreus encontramos a comprovação exata que diz: “E como é um fato que os homens devem morrer uma só vez” (Hb 9,27). Diante da Bíblia não fica nenhuma sombra de dúvida quanto a este tema. Nós cremos e sempre vamos crer na Ressurreição. A Ressurreição significa a vitória da vida sobre a morte. Cristo inaugurou a Ressurreição, garantindo a todos nós a certeza da nossa ressurreição. Pois, como está na Bíblia: “Se Cristo não Ressuscitou, é vã a nossa fé” (1Cor 15,17). É exatamente, porque Cristo Ressuscitou que a nossa fé não é vã. É na Ressurreição de Jesus e na certeza de que Nele e por Ele nós haveremos de ressuscitar, que a nossa fé se torna sólida, firme e inabalável como a rocha.

Penso que um católico praticante e conhecedor da sua fé, mesmo que desejasse, não consegueria ser espírita. Com esta afirmação, é bom que fique bem claro, que isto não tem nada haver com discriminação ou preconceito. E sim, um esclarecimento catequético para melhor vivermos a nossa fé católica . Pois, as duas doutrinas são opostas. Não se pode acreditar ao mesmo tempo na Doutrina da Ressurreição e na Doutrina da Reencarnação. Nós católicos, com base na Bíblia, na Tradição e no Magistério da Igreja, acreditamos de todo coração na Ressurreição. A Ressurreição é a base da nossa fé. E ao acreditarmos, de todo coração, na Ressurreição, fica descartada, a ideia da Reencarnação. A Santa Mãe Igreja, ensina-nos que nós viemos ao mundo, pela Graça de Deus. Aqui vivemos como peregrinos, a caminho da Jerusalém Celeste, ou seja, do Paraíso. E para passarmos da vida terrena para a vida celeste, experimentamos a morte, não como derrota, mas como passagem para a Glória de Deus. O processo é assim: concepção, gestação, nascimento, morte e ressurreição. O Mistério Pascal de Cristo: Paixão, Morte e Ressurreição, é a garantia de que existe Vida Eterna! Que existe Ressurreição! Caso contrário, estaríamos a colocar em causa todo o processo salvifico de Deus em Cristo. 

Como leigo católico, desejo respeitar a todos. Sei que há pessoas que acreditam diferente de mim. Contudo, sem faltar  ao respeito com os demais quero, em primeiro lugar, respeitar a Jesus e proclamar a sua Santa Palavra. Só há diálogo inter-religioso se temos clareza quanto à nossa fé! Quando dialogamos não devemos misturar tudo, mas sublinhar bem as nossas diferenças que revelam as nossas identidades singulares. E é por isso que cada católico precisa de ter, claro, na mente e no coração, a certeza da Ressurreição da carne e a certeza da Vida Eterna!

É a certeza da Ressurreição que nos consola na hora da dor e da saudade de um familiar ou amigo nosso que parte para a Eternidade

Nós podemos até chorar diante da morte. A morte é uma experiência muito difícil, inclusive para nós que cremos. O próprio Jesus, o Autor da vida, chorou diante da morte. A morte, é um drama. Mas, a morte não tem e nunca terá a última palavra sobre nós. A vida é que tem. “Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6). Jesus que é Vida, nos dá a garantia da Vida Eterna, onde não haverá nem lágrima e nem dor.

Às vezes, na hora do sofrimento, por conta da morte de alguém muito próximo de nós surge o desespero e a vontade enorme de uma resposta imediata, de uma explicação clara e palpável. É neste preciso momento, que muitos se deixam “seduzir” por doutrinas como a da Reencarnação. Por isso, mais do que nunca, renovemos, pratriquemos e professemos a nossa fé, que de Cristo nós recebemos: “cremos na ressurreição da carne; cremos na vida eterna” (Credo Apostólico) . É somente pela fidelidade à nossa fé que seremos, verdadeiramente consolados e fortalecidos em todas as situações da nossa vida. Se estivermos convictos na certeza da Ressurreição nada e nem ninguém poderá nos confundir; e aconteça o que acontecer iremos sempre testemunhar a verdadeira e única forma de vida, a que Jesus nos deu, a RESSURREIÇÃO e não a Reencarnação! 



Fernando Ilídio 


Leituras do dia

Segunda feira da semana XII do tempo comum 

PRIMEIRA LEITURA
2 Reis 17, 5-8.13-15a.18


«O Senhor afastou Israel para longe da sua presença. Ficou apenas a tribo de Judá»


Leitura do Segundo Livro dos Reis


Naqueles dias, Salmanasar, rei da Assíria, invadiu todo o país e pôs cerco a Samaria, durante três anos. No nono ano do reinado de Oseias, o rei da Assíria tomou Samaria e deportou os filhos de Israel para a Assíria, estabelecendo-os em Halá, nas margens do Habor, rio de Gozã, e nas cidades da Média. Isto aconteceu, porque os filhos de Israel pecaram contra o Senhor, seu Deus, que os fizera sair da terra do Egipto, libertando-os do poder do faraó, rei do Egipto. Prestaram culto a outros deuses e seguiram os costumes das nações que o Senhor expulsara diante deles, e os costumes que os reis de Israel tinham introduzido. No entanto, o Senhor tinha advertido Israel e Judá, por meio dos seus profetas e videntes, dizendo: «Convertei-vos dos vossos maus caminhos e guardai os meus mandamentos e preceitos, conforme toda a Lei que prescrevi aos vossos pais e vos comuniquei por meio dos meus servos, os profetas». Mas eles não quiseram obedecer e tornaram-se ainda mais endurecidos que seus pais, que não tinham acreditado no Senhor, seu Deus. Desprezaram os preceitos do Senhor, bem como a aliança que firmara com seus pais e as advertências que lhes tinha feito. Então o Senhor indignou-Se tanto contra Israel que o afastou para longe da sua presença. Ficou apenas a tribo de Judá.

Palavra do Senhor.


SALMO RESPONSORIAL
Salmo 59 (60), 3.4-5.12-13 (R. 7b)


Refrão: Ajudai-nos, Senhor, com a vossa direita
e salvai-nos. Repete-se


Vós nos rejeitastes, ó Deus,
e nos pusestes em debandada;
acendeu-se a vossa ira,
mas voltai-Vos para nós. Refrão

Abalastes a terra e a enchestes de fendas;
reparai as suas brechas, que ameaça ruína.
sujeitastes o vosso povo a rude prova,
destes-nos a beber um vinho inebriante. Refrão

Quem nos conduzirá senão Vós, que nos rejeitastes?
Quem senão Vós, 
que já não saís com os nossos exércitos?
Prestai-nos auxílio contra o inimigo,
porque nada vale o socorro humano. Refrão


ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
Hebr 4, 12


Refrão: Aleluia Repete-se

A palavra de Deus é viva e eficaz:
conhece os pensamentos e intenções do coração. Refrão


EVANGELHO
Mt 7, 1-5


«Tira primeiro a trave da tua vista»


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não julgueis e não sereis julgados. Segundo o julgamento que fizerdes sereis julgados, segundo a medida com que medirdes vos será medido. Porque olhas o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua? Como poderás dizer a teu irmão: ‘Deixa-me tirar o argueiro que tens na vista’, enquanto a trave está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão».

Palavra da salvação.


domingo, 24 de junho de 2018

Momento de reflexão

Nascimento de Saõ João Baptista - Solenidade


São Máximo de Turim (?-c. 420)


Bispo

Sermão 99; PL 57, 535

«Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3,30)

Com razão pode João Batista dizer de Nosso Senhor: «Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3,30), porque ainda hoje tem lugar o que essa afirmação nos diz; com efeito, os dias começam a crescer quando nasce o nosso Salvador, e a diminuir quando João nasce […], ou seja, o dia fica mais comprido logo que nos nasce o Salvador, e mais pequeno quando nasce o último dos profetas, pois está escrito: «A Lei e os Profetas subsistiram até João» (Lc 16,16). Era pois inevitável que a observância da Lei mergulhasse nas trevas no momento em que começasse a brilhar a graça do Evangelho, e que às profecias do Antigo Testamento se sucedesse a glória do Novo. […] Diz ainda o evangelista a propósito do Senhor Jesus Cristo que Ele «era a Luz verdadeira que […] a todo o homem ilumina» (Jo 1,9). […] Foi no momento em que a duração da noite ultrapassava a do dia que, de repente, a vinda do Senhor projetou todo o seu esplendor; e se o seu nascimento afastou dos homens as trevas do pecado, a sua vinda pôs fim à noite e trouxe-lhes a luz do dia claro. […] De João, o Senhor diz que é uma lâmpada: «João era uma lâmpada ardente e luminosa» (Jo 5,35). Ora, a luz da lâmpada empalidece quando começam a brilhar os primeiros raios do sol; a sua chama perde força, vencida pelo esplendor duma luz muito mais radiosa, e qual será o homem sensato que quererá servir-se duma lâmpada em sol aberto? […] Da mesma maneira, quem estará disposto a receber o batismo de arrependimento de João (Mc 1,4), quando o de Jesus lhe traz a salvação?


Leituras do dia

Solenidade do Nascimento de São João Baptista

PRIMEIRA LEITURA
Is 49, 1-6


«Farei de ti a luz das nações»


Leitura do Livro de Isaías


Terras de Além-Mar, escutai-me;
povos de longe, prestai atenção.
O Senhor chamou-me desde o ventre materno,
disse o meu nome desde o seio de minha mãe.
Fez da minha boca uma espada afiada,
abrigou-me à sombra da sua mão.
Tornou-me semelhante a uma seta aguda,
guardou-me na sua aljava.
E disse-me: «Tu és o meu servo, Israel,
por quem manifestarei a minha glória».
E eu dizia: «Cansei-me inutilmente,
em vão e por nada gastei as minhas forças».
Mas o meu direito está no Senhor
e a minha recompensa está no meu Deus.
E agora o Senhor falou-me,
Ele que me formou desde o seio materno,
para fazer de mim o seu servo,
a fim de Lhe restaurar as tribos de Jacob 
e reconduzir os sobreviventes de Israel.
Eu tenho merecimento aos olhos do Senhor
e Deus é a minha força.
Ele disse-me então:
«Não basta que sejas meu servo,
para restaurares as tribos de Jacob
e reconduzires os sobreviventes de Israel.
Farei de ti a luz das nações,
para que a minha salvação chegue até aos confins da terra». 


Palavra do Senhor.


SALMO RESPONSORIAL
Salmo 138 (139), 1-3.13-14ab.14c-15 (R. 14a)


Refrão: Eu Vos dou graças, Senhor,
porque maravilhosamente me criastes. Repete-se


Senhor, Vós conheceis o íntimo do meu ser:
sabeis quando me sento e quando me levanto.
De longe penetrais o meu pensamento:
Vós me vedes quando caminho e quando descanso,
Vós observais todos os meus passos. Refrão

Vós formastes as entranhas do meu corpo
e me criastes no seio de minha mãe.
Eu Vos dou graças 
por me terdes feito tão maravilhosamente:
admiráveis são as vossas obras. Refrão

Vós conhecíeis já a minha alma
e nada do meu ser Vos era oculto,
quando secretamente era formado,
modelado nas profundidades da terra. Refrão

SEGUNDA LEITURA
Actos 13, 22-26


«João tinha proclamado, antes da vinda de Cristo...»


Leitura dos Actos dos Apóstolos


Naqueles dias, Paulo falou deste modo:
«Deus concedeu aos filhos de Israel David como rei,
de quem deu este testemunho:
‘Encontrei David, filho de Jessé,
homem segundo o meu coração,
que fará sempre a minha vontade’.
Da sua descendência, como prometera,
Deus fez nascer Jesus, o Salvador de Israel.
João tinha proclamado, antes da sua vinda,
um baptismo de penitência a todo o povo de Israel.
Prestes a terminar a sua carreira, João dizia:
‘Eu não sou quem julgais;
mas depois de mim, vai chegar Alguém,
a quem eu não sou digno de desatar as sandálias dos seus pés’.
Irmãos, descendentes de Abraão 
e todos vós que temeis a Deus:
a nós é que foi dirigida esta palavra de salvação».


Palavra do Senhor.


ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
cf. Lc 1, 76


Refrão: Aleluia. Repete-se

Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo,
irás à frente do Senhor a preparar os seus caminhos. Refrão


EVANGELHO
Lc 1, 57-66.80


«O seu nome é João»


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


Naquele tempo,
chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz um filho.
Os seus vizinhos e parentes souberam 
que o Senhor lhe tinha feito tão grande benefício
e congratularam-se com ela.
Oito dias depois, vieram circuncidar o menino
e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias.
Mas a mãe interveio e disse:
«Não, Ele vai chamar-se João».
Disseram-lhe:
«Não há ninguém da tua família que tenha esse nome».
Perguntaram então ao pai, por meio de sinais,
como queria que o menino se chamasse.
O pai pediu uma tábua e escreveu:
«O seu nome é João».
Todos ficaram admirados.
Imediatamente se lhe abriu a boca e se lhe soltou a língua
e começou a falar, bendizendo a Deus.
Todos os vizinhos se encheram de temor
e por toda a região montanhosa da Judeia
se divulgaram estes factos.
Quantos os ouviam contar
guardavam-nos em seu coração e diziam:
«Quem virá a ser este menino?».
Na verdade, a mão do Senhor estava com ele.
O menino ia crescendo e o seu espírito fortalecia-se.
E foi habitar no deserto
até ao dia em que se manifestou a Israel.


Palavra da salvação.


quinta-feira, 21 de junho de 2018

Momento de reflexão

São Luis-Maria Grignion de Monfort (1673-1716)

pregador, fundador de comunidades religiosas

O segredo de Maria I, 3-4

Chamados à santidade

Alma, imagem viva de Deus, resgatada com o precioso sangue de Jesus Cristo, a vontade de Deus a teu respeito é que sejas santa como Ele nesta vida, e gloriosa como Ele na outra. A aquisição da santidade de Deus é a tua vocação segura; é para aí que todos os teus pensamentos, palavras e atos, os teus sofrimentos e todos os movimentos da tua vida devem tender; ou então, resistes a Deus, não fazendo aquilo para o qual te criou e te conserva. Oh!, que obra admirável! A poeira transformada em luz, o lixo em pureza, o pecado em santidade, a criatura no Criador, o homem em Deus! Oh, obra admirável, repito, mas obra difícil em si mesma e impossível à simples natureza; só Deus pode realizá-la por meio da graça, e uma graça abundante e extraordinária; e a criação de todo o universo não é obra tão perfeita como esta. [...] Alma, como farás? Que meios escolherás para ascender aonde Deus te chama? Os meios da salvação e da santidade são conhecidos por todos, estão assinalados no evangelho, são explicados pelos mestres de vida espiritual, são praticados pelos santos e são necessários a quantos pretendem salvar-se e alcançar a perfeição: a humildade do coração, a oração contínua, a mortificação universal, o abandono na Providência, a conformidade com a vontade de Deus.


 

Leituras do dia

Sexta-feira da XI Semana do Tempo Comum

PRIMEIRA LEITURA
2 Reis 11, 1-4.9-18.20


«Sagraram rei Joás e bradaram:‘Viva o rei!’»


Leitura do Segundo Livro dos Reis

Naqueles dias, Atalia, mãe do rei Ocozias, ao saber que o filho morrera, mandou matar todos os descendentes do rei. Mas Josebá, filha do rei Jorão e irmã de Ocozias, tomou Joás, filho de Ocozias, e tirou-o secretamente do meio dos filhos do rei, que estavam a ser executados, para o esconder com a ama no dormitório do templo. Assim o furtaram aos olhos de Atalia e ele escapou à morte. Ficou no templo do Senhor, com Josebá, escondido pelo espaço de seis anos, enquanto Atalia reinava no país. No sétimo ano, o sacerdote Joiadá convocou os oficiais dos mercenários e dos guardas e mandou-os vir à sua presença no templo do Senhor. Estabeleceu um acordo com eles, fê-los prestar juramento e mostrou-lhes o filho do rei. Os oficiais fizeram tudo o que lhes ordenara o sacerdote Joiadá. Cada um tomou consigo os seus homens, tanto os que entravam em serviço no sábado, como aqueles que o terminavam nesse dia; e vieram ter com o sacerdote Joiadá. O sacerdote entregou-lhes as lanças e os escudos do rei David, que estavam no templo do Senhor. Os guardas postaram-se, com as armas na mão, desde o lado sul até ao lado norte do templo, rodeando o altar e o templo, para protegerem o rei. Então Joiadá mandou que trouxessem o filho do rei e impôs-lhe o diadema e as insígnias reais. Proclamaram-no rei e deram-lhe a unção; depois bateram palmas e aclamaram: «Viva o rei!». Ao ouvir os clamores populares, Atalia dirigiu-se ao encontro do povo no templo do Senhor. Quando viu o rei de pé sobre o estrado, segundo o costume, os chefes e os tocadores de trombeta junto do rei e todo o povo exultando de alegria, ao som das trombetas, Atalia rasgou as vestes e gritou: «Traição! Traição!». O sacerdote Joiadá ordenou então aos oficiais das tropas: «Levai-a para fora por entre as fileiras e, se alguém tentar segui-la, matai-o à espada». O sacerdote, de facto, já tinha dito: «Não deve ser morta no templo do Senhor». Lançaram as mãos sobre ela, levaram-na para o palácio real, pela porta dos cavalos, e ali a mataram. Joiadá concluiu uma aliança entre o Senhor, o rei e o povo, pela qual este se comprometia a ser o povo do Senhor. Concluiu também uma aliança entre o rei e o povo. Então toda a gente do país foi ao templo de Baal e demoliu-o: quebraram completamente os altares e as imagens e mataram, diante dos altares, Matã, sacerdote de Baal. Em seguida, Joiadá colocou sentinelas no templo do Senhor. Todo o povo exultava de alegria e a cidade ficou em paz. Entretanto, Atalia tinha sido morta à espada no palácio real.

Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL
Salmo 131 (132), 11.12.13-14.17-18 (R. cf. 13)


Refrão: O Senhor escolheu Sião para sua morada. Repete-se

O Senhor fez um juramento a David
e não voltará atrás:
«Colocarei no teu trono
um descendente da tua família». Refrão

«Se os teus filhos guardarem a minha aliança
e forem fiéis às ordens que lhes dei,
também os seus filhos
se sentarão para sempre no teu trono». Refrão

O Senhor escolheu Sião,
preferiu-a para sua morada:
«É este para sempre o lugar do meu repouso,
aqui habitarei, porque o escolhi». Refrão

«Darei a David um poderoso descendente
e farei brilhar uma luz para o meu Ungido.
Cobrirei de confusão os seus inimigos,
mas sobre ele farei resplandecer o diadema». Refrão

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
Mt 5, 3


Refrão: Aleluia Repete-se

Bem-aventurados os pobres em espírito,
porque deles é o reino dos Céus. Refrão

EVANGELHO
Mt 6, 19-23


«Onde estiver o teu tesouro, aí estará o teu coração»


 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os destroem e os ladrões os assaltam e roubam. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não os destroem e os ladrões não os assaltam nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará o teu coração. A lâmpada do teu corpo são os olhos. Se o teu olhar for límpido, todo o teu corpo ficará iluminado. Mas se o teu olhar for mau, todo o teu corpo andará nas trevas. E se a luz que há em ti são trevas, como serão grandes essas trevas!».

Palavra da salvação.

Momento de reflexão

São João-Maria Vianney (1786-1859)

presbítero, Cura de Ars

«Espírito do Santo Cura de Ars nos seus catecismos, sermões e conversas»

O pai-nosso

«Pai nosso, que estais nos Céus»: como é bom, meus filhos, ter um Pai nos Céus! - «Venha a nós o vosso reino»: se eu fizer com que Deus reine no meu coração, Ele fará com que eu reine com Ele na sua glória. - «Seja feita a vossa vontade»: nada há tão bom nem tão perfeito como fazer a vontade de Deus. Para fazer bem as coisas, temos de as fazer como Deus quer, em plena conformidade com os seus desígnios. - «O pão nosso de cada dia nos dai hoje»: temos duas partes, a alma e o corpo. Pedimos a Deus que alimente o nosso pobre corpo, e Ele responde-nos fazendo com a terra produza o necessário à nossa subsistência. Mas pedimos-Lhe [também] que alimente a nossa alma, que é a parte mais bela, e a terra não tem capacidade para saciar a nossa alma, pois esta tem fome de Deus e só Deus pode enchê-la. Por isso, Deus não hesitou em vir a este mundo e em tomar um corpo, a fim de que este corpo se tornasse alimento das nossas almas. Quando o sacerdote apresenta a hóstia e vo-la mostra, a vossa alma pode dizer: Eis o meu alimento! Ó meus filhos, grande é a nossa felicidade! Só seremos capazes de a compreender quando chegarmos ao Céu!