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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Momento de reflexão


«Quando for erguido da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12,32)

De ora em diante, pela cruz, as sombras estão dissipadas e a verdade eleva-se, como diz o apóstolo João: «Porque as primeiras coisas passaram. [...]  Eu renovo todas as coisas» (Ap 21,4-5). A morte é espoliada, o inferno liberta os cativos, o homem está livre, o Senhor reina, a criação alegra-se. A cruz triunfa e todas as nações, tribos, línguas e povos (Ap 7,9) vêm adorá-l'O. Como o beato Paulo, que exclama : «Quanto a mim, porém, em nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6,14), encontramos nela a nossa alegria. A cruz traz a luz a todo o universo, afasta as trevas e reúne as nações do Ocidente, do Oriente, do Norte e do mar numa só Igreja, numa única fé, num só batismo, na caridade. Fixada no Calvário, ela dirige-se ao centro do mundo. Armados com a cruz, os apóstolos vão pregar e reunir na sua adoração o universo inteiro, espezinhando todas as forças hostis. Por ela, os mártires confessaram a sua fé com audácia e não temeram os ardis dos tiranos. Carregando-a, os monges fizeram da solidão a própria morada, numa imensa alegria. Na hora em que Jesus regressar, aparecerá primeiro no céu esta cruz, cetro precioso, vivo, verdadeiro e santo do Grande Rei: «Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem» (Mt 24,30). Vê-la-emos, escoltada pelos anjos, iluminar a Terra, de uma à outra extremidade do Universo, mais clara que o sol, a anunciar o Dia do Senhor.

domingo, 2 de setembro de 2018

Momento de reflexão

São Maximiliano Kolbe (1894-1941)

franciscano, mártir

Escritos espirituais inéditos

«O seu coração está longe de Mim»

A vida interior é primordial. A vida ativa é uma consequência da vida interior, e só tem valor se dela depender. Queremos fazer tudo o melhor possível, com perfeição. Mas, se o que fazemos não estiver ligado à vida interior, de nada serve. O valor da nossa vida e da nossa atividade releva por completo da vida interior, da vida de amor a Deus e à Virgem Maria, a Imaculada; não de teorias e doçuras, mas da prática de um amor que consiste na união da nossa vontade com a vontade da Imaculada. Antes de tudo e sobretudo, devemos aprofundar esta vida interior. Tratando-se de uma vida espiritual, é necessário acionar os meios sobrenaturais. A oração, a oração e apenas a oração é necessária para manter e fazer desabrochar a vida interior; o recolhimento interior é imprescindível. Não nos preocupemos com coisas desnecessárias, antes procuremos, em paz e com suavidade, manter o recolhimento de espírito e estar preparados para receber a graça de Deus. É isso que o silêncio nos ajuda a conseguir.

domingo, 26 de agosto de 2018

Momento de reflexão

São (Padre) Pio de Pietrelcina (1887-1968)

capuchinho

Carta 3, 980; GF, 196s

«Tu tens palavras de vida eterna»

Sê paciente e persevera na prática da meditação. A princípio, contenta-te com avançar em pequenos passos. Mais tarde, terás pernas que te pedirão que corras, ou melhor, asas para voar. Contenta-te com obedecer. Nunca é fácil, mas foi a Deus que escolhemos como nosso quinhão. Aceita não seres mais do que uma abelhinha no cortiço; cedo ela se tornará uma dessas grandes obreiras hábeis na fabricação do mel. Permanece sempre humilde diante de Deus e diante dos homens, no amor. Então o Senhor falar-te-á em verdade e enriquecer-te-á com os seus dons. Acontece às abelhas atravessarem grandes distâncias nos prados antes de chegarem às flores que escolheram; em seguida, fatigadas mas satisfeitas e carregadas de pólen, regressam à colmeia para aí realizarem a transformação silenciosa, mas fecunda, do néctar das flores em néctar da vida. Faz tu também assim: depois de teres escutado a Palavra, medita-a atentamente, examina os seus diferentes elementos, procura a sua significação profunda. Então, ela tornar-se-á clara e luminosa; ela terá o poder de transformar as tuas inclinações naturais em pura elevação do espírito; e o teu coração estará sempre mais intimamente unido ao coração de Cristo.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Momento de reflexão

15 de agosto de 2018 

Assunção da Virgem Santa Maria - solenidade

São Bernardo (1091-1153)


monge cisterciense, doutor da Igreja

1.º Sermão para a Assunção

«Em Cristo, todos serão vivificados, cada qual na sua ordem» (1Cor 15,22-23)

Hoje, a Virgem Maria sobe, gloriosa, ao Céu. É o cúmulo de alegria dos anjos e dos santos. Com efeito, se uma simples palavra sua de saudação fez exultar o menino que ainda estava no seio materno (Lc 1, 44), qual não terá sido sido o regozijo dos anjos e dos santos quando puderam ouvir a sua voz, ver o seu rosto e gozar da sua presença abençoada! E para nós, irmãos bem-amados, que festa a da sua assunção gloriosa, que motivo de alegria e que fonte de júbilo temos hoje! A presença de Maria ilumina o mundo inteiro, a tal ponto resplandece o Céu, irradiando o brilho desta Virgem plenamente santa. Por conseguinte, é com razão que ecoam nos Céus a ação de graças e o louvor. Ora [...], na medida em que o Céu exulta com a presença de Maria, não será razoável que o nosso mundo chore a sua ausência? Mas não, não nos lastimemos, porque não temos aqui cidade permanente (Heb 13,14), antes procuramos aquela aonde a Virgem Maria chegou hoje. Se já estamos inscritos no número dos habitantes dessa cidade, convém que hoje nos lembremos dela [...], compartilhemos a sua alegria, participemos na alegria que deleita a cidade de Deus; uma alegria que depois se espalha como o orvalho sobre a nossa Terra. Sim, Ela precedeu-nos, a nossa Rainha, precedeu-nos e foi recebida com tanta glória que nós, seus humildes servos, podemos seguir a nossa Rainha com toda confiança gritando [com a Esposa do Cântico dos Cânticos]: «Arrasta-me atrás de ti. Corramos ao odor dos teus perfumes!» (Cant 1,3-4) Viajantes nesta Terra, enviamos à frente a nossa advogada [...], a Mãe de misericórdia, para defender eficazmente a nossa salvação.


domingo, 12 de agosto de 2018

Momento de reflexão

São Cirilo de Alexandria (380-444)

bispo, doutor da Igreja

Comentário ao evangelho de São Lucas, 22

«E o pão que Eu hei de dar é a minha carne, que Eu darei pela vida do mundo»

Como podia o homem, inexoravelmente preso à terra e submetido à morte, ter de novo acesso à imortalidade ? Era preciso que a sua carne se tornasse participante da força vivificadora que é Deus. Ora, a força vivificadora de Deus nosso Pai é a sua Palavra, é o Filho Único; foi Ele que Deus nos enviou como Salvador e Redentor. [...] Se deitares um pedacinho de pão em azeite, água ou vinho, impregnar-se-á das propriedades destes. Se o ferro estiver em contacto com o fogo, será tomado pela energia deste e, ainda que de facto o ferro seja por natureza ferro somente, tornar-se-á semelhante ao fogo. Do mesmo modo, portanto, o Verbo vivificador de Deus, ao unir-Se à carne de que Se apropriou, tornou-a vivificadora. Com efeito, Ele disse: « Quem acredita tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida». E ainda: «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que Eu hei de dar é a minha carne [...]. Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós». Assim, pois, ao comermos a carne de Cristo, Salvador de todos nós, e ao bebermos o seu sangue, temos em nós a vida, tornamo-nos um com Ele, e Ele permanece em nós. Ele tinha de vir até nós da maneira que convém a Deus, pelo Espírito Santo, e de integrar-Se de alguma forma nos nossos corpos, pela sua santa carne e pelo seu precioso sangue que, em benção vivificadora, recebemos no pão e no vinho. De facto [...], Deus usou de condescendência para com a nossa fragilidade e pôs toda a força da sua vida nos elementos do pão e do vinho, que deste modo estão dotados da energia da sua própria vida. Não hesiteis pois em crer, já que o próprio Senhor disse claramente: «Isto é o meu corpo» e «Isto é o meu sangue».


 

domingo, 5 de agosto de 2018

Momento de reflexão

Guigues o Cartuxo (1083-1136)

Prior da Grande Cartuxa
Meditação 10


«Dá-nos sempre desse pão»

O pão da alma é Cristo, «o pão vivo que desceu do céu» (Jo 6,51) e que alimenta os seus, agora pela fé, no mundo futuro pela visão. Pois Cristo habita em ti pela fé e a fé em Cristo é Cristo no teu coração (Ef 3,17). É na medida em que crês em Cristo que O possuis. E Cristo é, na verdade, um só pão «pois há um único Senhor, uma única fé» (Ef 4,5) para todos os crentes, se bem que uns recebam mais e outros menos do dom dessa mesma fé. [...] Como a verdade é única, uma única fé na verdade única guia e alimenta todos os crentes, e «um mesmo e único Espírito, que distribui a cada um os seus dons conforme entende» (1Cor, 12,11). Vivemos todos do mesmo pão e cada um de nós recebe a sua porção; no entanto, Cristo é todo para nós, exceto para aqueles que destroem a unidade. [...] Neste dom que recebi, possuo totalmente Cristo e Cristo possui-me totalmente, tal como o membro que pertence a todo o corpo também o possui por inteiro. Assim, esta porção de fé que recebeste é como o pequeno pedaço que pão que está na tua boca. Mas, se não meditares frequente e piedosamente naquilo em que crês, se não o mastigares, por assim dizer, triturando-o e voltando-o com os dentes, isto é, com os sentidos do teu espírito, ele não te franqueará a garganta, ou seja, não chegará até à tua inteligência. Com efeito, como poderias compreender algo em que meditas raramente e com negligência, sobretudo quando se trata de uma coisa ténue e invisível? [...] Que, pela meditação, «a lei do Senhor esteja sempre na tua boca» (Ex 13,9) para que nasça em ti a boa inteligência. Através da boa compreensão, o alimento passa para o teu coração, para que não negligencies aquilo que compreendeste, mas antes o recolhas com amor.


 

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Momento de reflexão

Segunda-feira da 17ª semana do Tempo Comum


S. Pedro Crisólogobispo, Doutor da Igreja, +450


São Pedro Crisólogo (c. 406-450)


bispo de Ravena, doutor da Igreja

Sermão 99

«Até ficar tudo levedado»

Busquemos o sentido profundo desta parábola. A mulher que tomou o fermento é a Igreja; o fermento que ela tomou é a revelação da doutrina celeste; as três medidas em que misturou o fermento são a Lei, os Profetas e os Evangelhos, onde o sentido divino mergulha e se esconde sob termos simbólicos, a fim de ser captado pelo fiel e de escapar ao infiel. As palavras «até ficar tudo levedado» dizem respeito ao que diz o apóstolo Paulo: «Imperfeita é a nossa ciência, imperfeita também a nossa profecia. Quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito» (1Cor 13,9). O conhecimento de Deus está agora na massa: espalha-se pelos sentidos, enche os corações, aumenta as inteligências e, como todos os ensinamentos, alarga-os, eleva-os e desenvolve-os até alcançarem as dimensões da sabedoria celeste. Tudo será levedado em breve. Quando? Na segunda vinda de Cristo


domingo, 29 de julho de 2018

Momento de reflexão

Santo Hilário (c. 315-367)

bispo de Poitiers, doutor da Igreja

Comentário ao Evangelho de S. Mateus, 14, 11; PL 9, 999

«Este é, na verdade, o Profeta que estava para vir ao mundo»

Os discípulos dizem que têm apenas cinco pães e dois peixes. Os cinco pães significam que estavam ainda submetidos aos cinco livros da Lei, e os dois peixes que eram alimentados pelos ensinamentos dos profetas e de João Batista. [...] O Senhor tomou os pães e os peixes, ergueu os olhos ao céu, abençoou-os e partiu-os, dando graças ao Pai pelo alimento da Boa Nova, após séculos da Lei e dos profetas. [...] Os pães são dados aos apóstolos, pois seria por eles que seriam difundidos os dons da graça divina. Em seguida, as pessoas são alimentadas com os cinco pães e os dois peixes. Uma vez saciados os convivas, os bocados de pão e de peixe que sobejaram eram de tal forma abundantes que encheram doze cestos. Isto significa que a multidão fica saciada com a palavra de Deus, que provém dos ensinamentos da Lei e dos profetas. É a abundância do poder divino [...] que realiza a plenitude do número doze, que é também o número dos apóstolos. Ora acontece que o número dos que comeram é o mesmo que o dos crentes vindouros: cinco mil homens (Mt 14,21; At 4,4).

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Momento de reflexão

São João Crisóstomo (c. 345-407)

presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja

Homilias sobre o Evangelho de São Mateus, n.º 65, 2-4; PG 58, 619

Beber do seu cálice e sentar-se à sua direita

Por intermédio de sua mãe, os filhos de Zebedeu fazem ao Mestre este pedido, na presença dos companheiros : «Ordena que nos sentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda». [...] Cristo apressa-Se a tirar-lhes as ilusões, dizendo-lhes que devem estar prontos a sofrer injúrias, perseguições e mesmo a morte: «Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?» Que ninguém se espante por ver os apóstolos presa de tão imperfeitas inclinações. Espera que o mistério da cruz seja cumprido, que a força do Espírito Santo lhes seja comunicada. Se queres ver a sua força de alma, observa-os mais tarde, e vê-los-ás superiores a todas as fragilidades humanas. Cristo não esconde as suas fraquezas, para que tu vejas aquilo em que depois se hão de tornar, pela força da graça que os há de transformar [...]. «Não sabeis o que estais a pedir». Não sabeis quão grande e prodigiosa é essa honra. Sentar-se à minha direita? Isso ultrapassa os próprios poderes angélicos. «Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?» Falais-Me de tronos e de diademas insignificantes; Eu falo-vos de combates e de sofrimentos. Não é agora que receberei a minha realeza; ainda não chegou a hora da glória. Para Mim e para os meus, é tempo de violência, de combates e de perigos. Repara que Ele não lhes pergunta diretamente: «Tereis coragem para derramar o vosso sangue?» Para os encorajar, propõe-lhes que partilhem o seu cálice, que vivam em comunhão com Ele [...]. Mais tarde, verás São João, o mesmo que agora deseja o primeiro lugar, ceder a presidência a São Pedro [...]. Quanto a Tiago, o seu apostolado não durou muito tempo. Ardente de fervor, desprezando por completo os interesses meramente humanos, com seu zelo, mereceu ser o primeiro mártir de entre os apóstolos (cf At 12,2).

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Momento de reflexão

São Tiago de Sarug (c. 449-521)

monge e bispo sírio

Poema

Converter-se e regressar

Regressarei à casa de meu Pai, como o filho pródigo (Lc 15,18), e serei acolhido. Como ele fez, assim farei eu: corresponderá o Pai aos meus desejos? [...] Pois estou morto pelo pecado, como se morre de doença. Resgata-me desta ruína, e possa eu louvar o teu nome! Senhor da terra e do céu, peço-Te: ajuda-me e mostra-me o caminho para chegar a Ti! Leva-me à tua presença, Filho do Magnânimo, e alcança o cume da tua misericórdia! Irei a Ti e saciar-me-ei com a tua alegria. Nesta hora de profundo cansaço, mói para mim o fermento da vida! Parti à tua procura e o maligno estava à espreita, como salteador (Lc 10,30). Atou-me e atolou-me nos prazeres deste mundo; encarcerou-me nos seus deleites e depois deu-me com a porta na cara. Não há ninguém que me liberte para que eu parta de novo à tua procura, ó meu Senhor! [...] Quero ser teu, Senhor, e caminhar contigo! Medito nos teus mandamentos dia e noite (Sl 1,2). Sê-me propício e acolhe o meu lamento, ó Misericordioso! Não me cortes a esperança, Senhor, porque sou teu servo e espero em Ti!

domingo, 15 de julho de 2018

Momento de reflexão

São Cirilo de Alexandria (380-444)

bispo, doutor da Igreja

Comentário sobre o Evangelho de São João 12,1

«Começou a enviá-los dois a dois».

Nosso Senhor Jesus Cristo constituiu-os guias e mestres do mundo e «dispensadores dos seus divinos mistérios» (1Cor 4,11) e mandou-lhes que brilhassem como lâmpadas acesas e iluminassem não só o país dos judeus [...], mas tudo o que está debaixo do sol, todos os os habitantes da Terra (Mt 5,14). [...] Com efeito, querendo enviar os seus discípulos como o Pai O tinha enviado a Ele, era necessário que, para poderem imitá-l'O na perfeição, eles compreendessem bem o mandato do Pai ao Filho. Por isso, explicou-lhes de muitas maneiras os objetivos da sua missão. Certa vez, disse-lhes: «Não foram os justos que Eu vim chamar ao arrependimento, mas os pecadores» (Lc 5,32); e ainda: « Desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou» (Jo 6,38); e doutra vez: «Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele» (Jo 3,17). Definida assim em poucas palavras a missão dos Apóstolos, explicou-lhes que os enviava como Ele fora enviado pelo Pai, para que soubessem que era seu dever chamar os pecadores à conversão; sarar os enfermos, tanto do corpo como do espírito; nunca procurar a própria vontade, mas a d'Aquele por quem tinham sido enviados; e salvar o mundo com a sua doutrina.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Momento de reflexão

São Jerónimo (347-420)


Presbítero, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja

Carta

Tudo deixar para tudo receber

Recebemos mais do que damos; abandonamos pequenas coisas e encontramos bens imensos. Cristo dá-nos o cêntuplo daquilo que fazemos por Ele: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que possuis, e dá o dinheiro aos pobres. Depois, vem e segue-Me». «Se queres ser perfeito» – as grandes coisas são sempre deixadas à nossa liberdade. Da mesma maneira, o apóstolo Paulo não faz da virgindade um mandamento (1Cor 7), porque Jesus disse: «Quem puder compreender, que compreenda» (Mt 19,12). «Se queres ser perfeito» – nada se nos impõe a fim de que, sendo o sacrifício voluntário, o mérito seja maior. No entanto, para atingir a perfeição, não basta desprezar as riquezas e dar os próprios bens, libertar-se daquilo que se pode perder e adquirir num momento. Isso foi o que o fizeram os filósofos; um cristão tem de fazer mais do que eles. Não basta abandonar os bens terrenos, é necessário seguir a Cristo. Mas o que é seguir a Cristo? É renunciar por completo ao pecado, e aderir por completo à virtude. Cristo é a Sabedoria eterna, é o tesouro que se encontra num campo (Mt 13,44), no campo da Sagrada Escritura. É a pérola preciosa pela qual se devem sacrificar muitas outras (Mt 13,46). Cristo é também a santidade, a santidade sem a qual ninguém verá a face de Deus. Cristo é a nossa redenção, o nosso redentor; Ele é o nosso resgate (1Tim 2,6). Cristo é tudo; de maneira que quem aceitar abandonar tudo por Ele reencontrará tudo nele. Esse poderá dizer: «Senhor, Vós sois a parte da minha herança» (Sl 15,5). Não deis apenas o vosso dinheiro, se quereis seguir a Jesus Cristo. Dai-vos vós mesmos a Ele; imitai o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir (Mc 10,45).

terça-feira, 10 de julho de 2018

Momento de reflexão

São João Crisóstomo (c. 345-407)

presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja

Homilia sobre a seara grande, 10,2-3; PG 63, 519-521

«A seara é grande»

Todos os trabalhos do agricultor vão naturalmente dar à colheita. Então porque foi que Cristo disse que a colheita ainda estava no começo? A idolatria reinava em toda a Terra. [...] Por todo o lado se praticava a fornicação, o adultério, o deboche, a cupidez, roubos e guerras. [...] A Terra estava cheia de muitos males! Nenhuma semente tinha ainda sido lançada. Os espinhos, os cardos e as ervas daninhas que cobriam o chão ainda não tinham sido arrancados. Não se tinha ainda puxado a charrua nem traçado um sulco. Então como é que Jesus pode afirmar que a seara é grande? [...] Os apóstolos terão, muito provavelmente, ficado desconcertados: «Como poderemos sequer abrir a boca e manter-nos de pé diante de tantos homens? Como poderemos nós, os Onze, corrigir todos os habitantes da Terra? Saberemos, nós que somos tão ignorantes, abordar os sábios; nós, que nada temos, confrontar homens armados; nós, que somos subordinados, enfrentar as autoridades? Nós que apenas sabemos uma língua, seremos capazes de discutir com os povos bárbaros, que falam outras línguas? Quem nos ouvirá, se nem compreendem o que dizemos?» Jesus não quer que estes raciocínios os mergulhem na confusão. Por isso, quando afirma que o evangelho é uma seara, é como se lhes dissesse: «Está tudo preparado. Eu envio-vos a colher o trigo maduro; podereis semear e colher no mesmo dia». Quando o agricultor sai de sua casa para ir fazer a ceifa, transborda de alegria e resplandece de felicidade. Não contempla as dores nem as dificuldades que poderá encontrar. [...] «Emprestai-me a vossa língua», diz Cristo, «e vereis o trigo maduro entrar nos celeiros do rei». E acrescenta: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28,20).

domingo, 8 de julho de 2018

Momento de reflexão

Santo Hilário (c. 315-367)

Bispo de Poitiers, doutor da Igreja

Sobre a Trindade, 12, oração final

«E não podia ali fazer qualquer milagre [...]. Estava admirado com a falta de fé daquela gente».

Peço-Te, Pai Santo, Deus Todo-Poderoso, que conserves intacto o fervor da minha fé e, até ao último suspiro, me concedas conformar a minha voz às minhas convicções profundas. Sim, que eu conserve sempre aquilo que afirmei no credo que foi proclamado aquando do meu novo nascimento, quando fui batizado no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Concede-me que Te adore, a Ti, Pai nosso, e ao teu Filho, que é um só Deus contigo; faz com que obtenha o teu Espírito Santo, que de Ti procede, pelo teu Filho único. A minha fé tem a seu favor uma excelente testemunha: Aquele que declara: «Pai, tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu»(Jo 17,10). Esta testemunha é o meu Senhor Jesus Cristo, Deus eterno em Ti, de Ti e contigo, Ele que é bendito pelos séculos dos séculos. Ámen.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Momento de reflexão

São João Crisóstomo (c. 345-407)

Presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja

Homilias sobre S. mateus

«Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores»

Porque foi que Jesus não chamou Mateus ao mesmo tempo que Pedro, João e os outros? Tal como veio à Terra apenas quando sentiu que os homens estavam dispostos a obedecer-Lhe, também só chamou Mateus quando soube que ele O seguiria; pela mesma razão, só agarrou Paulo após a ressurreição (At 9). Porque, sondando os corações, penetrando no mais íntimo da alma de cada um, Ele sabia bem em que momento cada um estava disposto a segui-l'O. Se Mateus não foi chamado logo no princípio, foi porque ainda tinha o coração demasiado duro; mas, depois de Jesus ter feito numerosos milagres, e a sua fama ter crescido, já ele estava disposto a escutar o Mestre, e Jesus sabia-o.  Convém ainda admirar a virtude deste apóstolo, que não esconde a sua vida passada. [...] Desempenhava um ofício vergonhoso e os lucros que dele tirava não tinham desculpa. Apesar disso tudo, Jesus chamou-o. Não Se envergonhou de chamar um publicano, tal como não corou por falar a uma prostituta e permitiu mesmo que ela Lhe beijasse os pés e os regasse com as suas lágrimas (Lc 7,36s). Porque, se Ele veio, não foi apenas para tratar dos corpos, mas para curar as almas. Era o que acabava de fazer com o paralítico; depois de ter mostrado claramente que tem poder de perdoar os pecados, vai ter com Mateus, para que as pessoas não fiquem espantadas por O verem escolher um publicano para seu discípulo.       

terça-feira, 3 de julho de 2018

Momento de reflexão

Concílio Vaticano II

Constituição sobre a Igreja no mundo contemporâneo (Gaudium et spes), §§ 9-10 - Copyright © Libreria Editrice Vaticana

«Pediram-Lhe que Se retirasse do seu território»

O mundo atual apresenta-se, assim, simultaneamente poderoso e débil, capaz do melhor e do pior, tendo patente diante de si o caminho da liberdade ou da servidão, do progresso ou da regressão, da fraternidade ou do ódio. E o homem torna-se consciente de que a ele compete dirigir as forças que suscitou, e que tanto o podem esmagar como servir. Por isso se interroga a si mesmo. Na verdade, os desequilíbrios de que sofre o mundo atual estão ligados àquele desequilíbrio fundamental que radica no coração do homem. Porque no íntimo do próprio homem muitos elementos se combatem. Enquanto, por uma parte, ele se experimenta, como criatura que é, multiplamente limitado, por outra sente-se ilimitado nos seus desejos, e chamado a uma vida superior. Atraído por muitas solicitações, vê-se obrigado a escolher entre elas e a renunciar a algumas. Mais ainda, fraco e pecador, faz muitas vezes aquilo que não quer e não realiza o que desejaria fazer (Rom 7,15). Sofre assim em si mesmo a divisão, da qual tantas e tão grandes discórdias se originam para a sociedade. [...] Perante a evolução atual do mundo, cada dia são mais numerosos os que põem ou sentem com nova acuidade as questões fundamentais: Que é o homem? Qual o sentido da dor, do mal, e da morte, que, apesar do enorme progresso alcançado, continuam a existir? Para que servem essas vitórias, ganhas a tão grande preço? Que pode o homem dar à sociedade, e que coisas pode dela receber? Que há para além desta vida terrena? A Igreja, por sua parte, acredita que Jesus Cristo, morto e ressuscitado por todos, oferece aos homens, pelo seu Espírito, a luz e a força para poderem corresponder à sua altíssima vocação; nem foi dado aos homens sob o céu outro nome, no qual devam ser salvos (At 4,12). Acredita também que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontram no seu Senhor e mestre. E afirma, além disso, que, subjacentes a todas as transformações, há muitas coisas que não mudam, cujo último fundamento é Cristo, o mesmo ontem, hoje e para sempre (Heb 13,8).

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Momento de reflexão

São Leão Magno (?-c. 461)

Papa, doutor da Igreja

Sermão 95, 2-3; PL 54, 461-462

A pobreza que enriquece

«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus» (Mt 5,3). [...] Depois do Senhor, os primeiros a dar-nos exemplo desta pobreza generosa foram os apóstolos. Deixando sem hesitar todos os seus bens ao ouvirem o chamamento do Divino Mestre, converteram-se alegremente e abandonaram a pesca de peixes para se tornarem pescadores de homens (Mt 4,18s). Entre estes homens, foram muitos os que se lhes assemelharam, imitando a sua fé; os primeiros filhos da Igreja «tinham um só coração e uma só alma» (At 4,32). Despojados de todas as suas posses, tinham sido enriquecidos com bens eternos graças à santa pobreza. Acolhendo a pregação dos apóstolos, alegravam-se por nada terem neste mundo e tudo possuírem em Cristo (cf 2Cor 6,10). Certo dia em que o apóstolo Pedro subia ao Templo, houve um coxo que lhe pediu esmola. «Não tenho ouro nem prata», respondeu-lhe Pedro, «mas dou-te o que tenho: em nome de Jesus de Nazaré, levanta-te e anda» (At 3,6). [...] Pedro curou-o com a sua palavra. Não tendo moedas com a efígie de César, restaurou naquele homem a imagem de Cristo. A riqueza deste tesouro não socorreu apenas aquele a quem foi devolvida a capacidade de andar, mas também os cinco mil homens que acreditaram na pregação do apóstolo por causa deste milagre (cf At 4,4). E Pedro, o pobre que nada tinha para dar a quem lhe pedia esmola, deu a graça divina com tal largueza, que, não se contentando em voltar a pôr um homem de pé, curou o coração de milhares de homens, dando-lhes a fé.

domingo, 1 de julho de 2018

Momento de reflexão

São Jerónimo (347-420)

Presbítero, tradutor da Bíblia, doutor da Igreja

Comentário ao Evangelho de Marcos, 2

«Menina, Eu te ordeno: levanta-te»

«Não deixou que ninguém O acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago». Podemos perguntar por que motivo leva Jesus sempre estes discípulos, e deixa os outros. Já quando Se transfigurou no monte estes três O acompanhavam. […] Os escolhidos são Pedro, sobre quem foi construída a Igreja, bem como Tiago, o primeiro apóstolo a receber a palma do martírio, e João, o primeiro a enaltecer a virgindade. […] «Entrou no local onde jazia a menina, pegou-lhe na mão e disse: "Talitha Kum", que significa: "Menina, Eu te ordeno: levanta-te". Ela ergueu-se imediatamente e começou a andar, pois já tinha doze anos». Desejemos que Jesus nos toque também, e começaremos imediatamente a andar. Por sermos paralíticos ou por termos cometido más ações, deixámos de andar; talvez estejamos deitados na cama dos nossos pecados como em verdadeiro leito. Mas, assim que Jesus nos tocar, ficaremos curados. A sogra de Pedro estava com febre; Jesus tomou-lhe a mão, ela levantou-se e começou imediatamente a servi-los (Mc 1,31). […] «E mandou dar de comer à menina». Pela graça, Senhor, toca-nos na mão, a nós que estamos deitados, levanta-nos do leito dos nossos pecados, faz-nos andar. Quando tivermos começado a andar, manda que nos deem de comer. Deitados, não podemos andar e, se não estivermos de pé, não poderemos receber o corpo de Cristo, a quem pertence a glória, com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Momento de reflexão

São Pedro e São Paulo - Solenidade

Beato Paulo VI (1897-1978)

papa de 1963 a 1978

Exortação «Sobre a alegria cristã» (1975)

«Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja»

Neste Ano Santo, convidámo-vos a realizar, fisicamente ou em espírito e intenção, uma peregrinação a Roma, ao coração da Igreja Católica. Mas, é demasiado evidente, Roma não constitui o termo da nossa peregrinação no tempo. Nenhuma cidade santa da Terra constitui esse termo; ele está escondido para além do mundo, no coração do mistério de Deus ainda invisível aos nossos olhos. [...] Assim é com Roma, cidade em que os santos apóstolos Pedro e Paulo deram, com o sangue, o seu último testemunho. A vocação de Roma tem origem apostólica; o ministério que nos cabe exercer aqui é um serviço para benefício de toda a Igreja e mesmo de toda a humanidade. Mas é um serviço insubstituível, porque agradou à sabedoria de Deus colocar a Roma de Pedro e de Paulo no caminho que, podemos dizê-lo, conduz à Cidade eterna, uma vez que Ele escolheu confiar as chaves do Reino dos Céus a Pedro, que unifica em si o colégio de todos os bispos. O que permanece aqui, em Roma, não como efeito da vontade do homem mas por uma benevolência livre e misericordiosa do Pai, do Filho e do Espírito, é a «solidez de Pedro», tal como a definiu o Papa São Leão Magno: «Pedro não cessa de presidir a partir da sua Sé; ele mantém uma participação eterna em Cristo, o Sumo-Sacerdote. Tendo recebido do alicerce que é Cristo (1Cor 3,11) a estabilidade própria da pedra, ele mesmo, tendo-se tornado Pedro (Mt 16,16), a transmite aos seus herdeiros».


 

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Momento de reflexão

Beato Columba Marmion (1858-1923)

Abade

A união com Deus em Cristo nas cartas de D. Marmion

«Pelos frutos os conhecereis».

Em todas as almas, há três espíritos que tendem a dominar. O espírito de falsidade e de blasfémia, que, desde o princípio, sugere sempre o contrário do que Deus sopra ao ouvido. O espírito do mundo, que nos inclina a julgar as coisas segundo as máximas da prudência carnal; ora, «a prudência deste mundo é loucura aos olhos de Deus» (1Cor 3,19). E há o Espírito de Deus, que nos inspira constantemente a elevarmos o coração acima da natureza («sursum corda») e a vivermos da fé («o meu justo vive da fé», Heb 10,38). Este Espírito inclina-nos sem cessar para uma fé que ama e para o abandono nas mãos de Deus. Ele enche-nos «de paz e de alegria na fé» (Rom 15,13) e produz os frutos a que se refere São Paulo. E Nosso Senhor afirma: «conhecereis este Espírito pelos frutos que produzir na vossa alma». Recomendo-vos uma grande fidelidade aos movimentos do Espírito Santo. O vosso batismo e a vossa confirmação estabeleceram-no como uma fonte viva na vossa alma. Escutai os seus sussurros e expulsai rapidamente as outras inspirações. Se mantiverdes esta fidelidade, a pouco e pouco, este Espírito tornar-se-á o vosso guia e conduzir-vos-á com Ele ao seio de Deus.