quarta-feira, 10 de maio de 2023

“O Sínodo – tempo para a escuta e mudança”

O caminho sinodal da Igreja Católica.

Em todo o mundo há uma reflexão de todo o povo de Deus sobre a identidade e missão da comunidade eclesial hoje. Em muitos países, incluindo Portugal, o primeiro ano do percurso levou a um enfoque particular sobre as modalidades de presença e de ação dos crentes na sociedade. Nesse esforço, a pesquisa teológica é chamada a dar sua própria contribuição.

Debatemos este tema com Fernando Ilídio.

Fernando Ilídio com já alguns textos publicados e algumas entrevistas é dos mais promissores teólogos católicos. Com 43 anos, casado e com uma filha, é formado em Teologia pelo Centro de Cultura Católica do Porto, onde concluiu os três anos do curso básico. Investigador e Fundador do CDT (Cantinho da Teologia). É Acólito, Ministro da Comunhão, participa como representante do grupo de Acólitos de Matosinhos no Concelho Pastoral Paroquial, fez parte do grupo de CPM (Preparação para o matrimonio), foi membro da equipa Pastoral Vocacional, formador do Grupo de Acólitos da Paróquia de Matosinhos e membro da equipa de Liturgia.

O Sínodo – tempo para escuta e mudança

 

 

 Ilídio, entre as várias instâncias, o caminho sinodal em curso convida-nos a rever de forma continuada a relação entre a Igreja e o mundo. Esta última é uma das questões mais relevantes para si. Sobre este tema, que contribuição pode oferecer a reflexão teológica?

O percurso sinodal começou por privilegiar a dinâmica da escuta. Em muitas realidades foi muito mais cansativo e frustrante do que se imaginava. Uma das razões, talvez, é que a escuta é uma prática mais fácil de dizer do que de fazer, com a qual perdemos, e em particular na Igreja Católica, traquejo e familiaridade. Para quem ensina como se fosse um hábito, por exemplo, é difícil se colocar na postura de escuta e a meu ver, é um dos grandes problemas e que não permite a melhor comunicação entre as partes.

Na maior parte das vezes quando os professores se calam e pedem a alguém para falar, estão quase sempre em postura de avaliador de um desempenho, e os interlocutores sabem disso. Como agente formador, sei do enorme esforço que é preciso para ficar a frente de um adolescente e simplesmente ouvi-lo, pensando que ele realmente tem algo para me dizer e pronto. É muito mais fácil posicionar-me numa atitude de quem faz o outro falar, principalmente porque quer entrar no seu pensamento e assim explicar de forma mais compreensível, ou mostrando-me educado e cortês deixando o outro falar, mas mais do que qualquer outra coisa para reduzir o limiar da suspeita e depois estimulá-lo a me ouvir, ou pior ainda deixá-lo desabafar e depois falar sem que o que eu tinha a dizer tenha sido minimamente tocado pelo tempo da escuta.

Nas últimas décadas, temo que a Igreja Católica Portuguesa tenha se preocupado tanto em ensinar - e vamos deixar de lado se por necessidade ou por excesso de zelo, se com mais ou menos sucesso - que às vezes nem se lembra como se faz a escuta. E não (ou não só) em sentido moral, mas exatamente como postura, hábito, atitude.

Os teólogos fazem parte da Igreja e participam dos mesmos esforços. Muitos de nós também estão mais preocupados, por exemplo, com a exatidão das respostas ou em transformar cada interlocução numa pergunta, que eles simplesmente não conseguem escutar. No entanto, uma das funções da teologia é também a de "escutar com atenção" (Gaudium et spes 44).

A Teologia

 

Ilídio, nos últimos tempos, há várias publicações tentando apresentar a teologia a um público que vai além dos estudiosos da disciplina. Mas, numa cultura Hiper técnica e setorial como a nossa, para que ainda serve a teologia?

- Depende do que se entende por "teologia", é claro. De certo ponto de vista, quem está em alguma relação de fé não pode deixar de fazer teologia. Escolher uma fórmula ao invés de outra para rezar uma oração, adotar um raciocínio ao invés de outro para justificar uma escolha de vida de fé, ler um texto sagrado de acordo com uma forma de interpretação ou outra (mas eu poderia citar outros 10 exemplos), são todas atividades teológicas.

Considero que todo o crente é também um teólogo, queira ou não, da mesma forma que um pai também é um pedagogo, queira ou não, porque cada gesto e cada palavra que ele dirige para os seus filhos terá uma consequência em vez de outra. Assim como nenhum pai deve ter um diploma em pedagogia, da mesma forma nenhum batizado deve ter um diploma em teologia, sendo que pode ser útil reter uma certa sabedoria ou conhecimento, ou pelo mesmo que exista algum “especialista”.

Insistindo na analogia, como existem diferentes escolas pedagógicas, também existem diferentes escolas teológicas. Neste momento penso que precisaríamos não de "teólogos" generalistas, mas de estudiosos da cristologia (uma das disciplinas em que se divide o estudo académico) treinados para desmascarar o gnosticismo e o pelagianismo contra os quais o Papa Francisco frequentemente se manifesta e que tanto dano semeiam.

Precisaríamos também de especialistas em lógica sacramental para desbloquear uma paralisia que já se tornou patológica entre teoria e práticas da crença.

Seriam necessários ainda mais biblistas e exegetas que soubessem vencer a tentação de reduzir as Escrituras ao seu ensinamento moral ou à sua filologia autorreferencial.

Precisaríamos de apologistas combativos que combatam qualquer tentativa de reduzir a religião cristã a um conjunto de valores civis, que possam ser explorados pelos poderes políticos e económicos.

Seriam necessários divulgadores imaginativos que não criem mais um movimento ou grupo identitário em torno de seu carisma pessoal, mas que ofereçam a todos os sujeitos do povo de Deus a possibilidade de usar as palavras da nossa tradição para atravessarmos juntos estes nossos tempos, entremeados de medos e de graças.

Acima de tudo, mas é um juízo muito pessoal, seriam necessários canonistas para levar de volta o direito canónico e a jurisprudência ao seu papel de cuidadores da tensão em direção à justiça, e não apenas justificativas para a impossibilidade de uma redenção, se não a preços quase insustentáveis para a vida.

O Magistério

O Papa Francisco já nos habituou a um estilo do qual dificilmente se voltará atrás. O seu pontificado até agora caracterizou-se por uma proposta magistral que leva em consideração o passar do tempo, a cultura, os contextos e as situações. Poderíamos, nesse sentido, falar de um magistério em contínua evolução?

 

- Seria difícil para mim dizer o contrário, ou seja, que o magistério não evolui, no sentido de que nunca muda. Mas não é uma novidade de Francisco. Vou tentar explicar-me melhor. Na Igreja Católica chamamos de "magistério" a tarefa da Igreja de instruir e supervisionar as teorias e práticas da fidelidade a Cristo.

Hoje os detentores do mais alto magistério são os bispos, com algumas prerrogativas próprias do bispo de Roma. Claro que há ensinamentos magistrais que chegaram a uma forma definitiva (por exemplo "Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem", ou "Maria é a mãe de Deus"), mas nem por isso o esforço para compreender cada vez melhor essas verdades, ou usá-los como raízes de um estilo de vida, está concluído de uma vez por todas! Ainda há muito a ser entendido e sobre o qual, portanto, também, no caso, instruir e supervisionar.

Além disso, há questões que podem ser reformadas periodicamente (São Pedro, por exemplo, entendeu melhor depois de seu encontro com o centurião romano, Cornélio, o que significava "anunciar a todos as gentes" e também depois daquele episódio mudou a prática de circuncisão). Depois, há elementos que é indispensável atualizar, retornando obviamente cada vez à fonte da verdade que é Jesus Cristo.

Finalmente, há também "discussões doutrinais, morais e pastorais" que podem e devem ser resolvidas sem o magistério (cf. Amoris laetitia 3).  Num capítulo de “Teologia do bar”, o Teólogo Italiano Marco Ronconi, tenta colocar isso de uma forma um pouco mais divertida: “o magistério não visa encontrar uma formulação para cada problema que nos proteja de todo erro possível, de forma que devemos esperar os seus pronunciamentos eternos e imutáveis para todas as coisas”. Identifico-me muito com isto.

Por outro lado, o fato do seu ensinamento nem sempre ser eterno e imutável não nos autoriza a considerá-lo irrelevante. O magistério, na sua própria existência, lembra que entre idolatrar a lei - iludindo-se de que na vida há sempre um procedimento que garante a inocência diante de um juiz disposto a nos condenar - e nomear-se catalogadores individuais do bem e do mal – elegendo o próprio eu como Deus - está a liberdade do Evangelho, a cujo serviço também está o magistério.

No entanto, se quiserem uma explicação melhor, recomendo um belo texto magistral: a constituição Dei Verbum no n. 10. Ou dois livros fascinantes de teologia: O desenvolvimento do dogma católico, publicado por Maurizio Flick e Zoltan Alszeghy em 1967; O Magistério na Igreja Católica, publicado por Francis Sullivan em 1983.

 

A Sagrada Escritura

 

Há investigações sociológicas que mostram um aumento considerável do distanciamento, e ignorância, de muitos Portugueses no que diz respeito à educação religiosa e ao conhecimento da Bíblia. No entanto, o texto bíblico é fundamental para iniciar-se num caminho de fé, para conhecer o cristianismo e para compreender uma parte fundamental da cultura europeia e mundial. Mas, na sua opinião, o que a Bíblia pode comunicar à cultura atual?

 

Peço desculpa se respondo com uma brincadeira: mas Bíblia sozinha não comunica nada. O que faz a diferença é quem a lê e como. Não vou repetir aqui as motivações - ainda que sacrossantas - com que crentes e não crentes, intelectuais e artistas, periodicamente invocam uma difusão mais ampla do texto bíblico. Eu concordo plenamente com eles. O problema não é a teoria, mas as práticas de leitura.

Por um lado, a Bíblia é assustadora porque é usada como "Palavra de Deus" até mesmo por fundamentalistas, ou atemoriza pelo tamanho e pela dificuldade objetiva de muitos dos seus textos. Por outro lado, estão muito na moda aqueles que a usam como reservatório de respostas para os seus problemas, ou manual de autorrealização individual.

A Bíblia não é algo que precisa de quatro diplomas antes de se poder usá-la, mas também não é algo que existe em primeiro lugar para mim, como se eu fosse o centro do universo e Deus não tivesse mais nada que fazer a não ser dizer-me coisas, fazendo-me sentir um idiota quando não as entendo, já que as escondeu em textos de entendimento não tão imediatos.

Quem quiser entender a intenção de quem a escreveu - diz a Dei Verbum 12 - "deve pesquisar com atenção" e, pelo menos segundo a própria Bíblia, o pior é a "explicação privada" (2Pd 1,20-21); não é por acaso que uma das práticas mais antigas da Bíblia é a lectio divina. Ora, esta “com atenção” pressupõe uma ou mais competências (e aqui entram todos os múltiplos estudos ou conhecimentos práticos deveriam ser colocados mais em circulação), mas assim se retorna à primeira das perguntas desta nossa conversa.

Para terminar, o caminho começa desta forma: primeiro junto com Jesus. E, depois, junto com os irmãos e as irmãs, os fiéis discípulos de Jesus! Digo isso com muita força e convicção: caminhamos juntos, com Jesus, com Jesus Senhor que está vivo, pelas estradas do mundo! Aqui está a chave de cada sínodo, de cada caminhar juntos! O primado vai para a escuta do Senhor, da sua Palavra, do que o Espírito Santo diz às Igrejas e aos fiéis. Do contrário, até podemos caminhar com os outros, mas não saberemos para onde ir, que estrada seguir, porque só ele é o caminho.

E se nós, cristãos, somos "aqueles do caminho", somos aqueles que têm Jesus como caminho! "Eu sou o caminho, a verdade, a vida!" (Jo 14, 6).

10/03/2023




sexta-feira, 7 de abril de 2023

Jesus! Nosso Salvador

Oh Jesus! Nosso Salvador, por vezes tenho a sensação que ainda hoje,  continuamos a pregar-Te na cruz com as nossas próprias mãos. Todas as vezes em que ousamos esquecer do irmão que sofre, que tem fome, que foge da guerra e não os amamos como nos ensinaste, voltamos a fazer como há dois mil anos... a pregar-te no madeiro. Deus meu, meu Salvador e meu tudo, digno de toda adoração e amor, vendo como tantas vezes nos haveis cumulado de bençãos, dobramos os joelhos perante Ti, convencidos de que ainda podemos reparar as injúrias com que vos temos ofendido. Sim...ao menos podemos compadecer e dar-Vos graças por tudo o que haveis feito por nós. Obrigado, Senhor. Com o coração e não só com os lábios dizemos: Perdoai-nos Senhor e salvai-nos! 

Fernando Ilidio

Sexta feira da Paixão do Senhor

PRIMEIRA LEITURA
Is 52, 13 – 53, 12

Leitura do Livro de Isaías

Vede como vai prosperar o meu servo: subirá, elevar-se-á, será exaltado. Assim como, à sua vista, muitos se encheram de espanto – tão desfigurado estava o seu rosto que tinha perdido toda a aparência de um ser humano – assim se hão-de encher de assombro muitas nações e, diante dele, os reis ficarão calados, porque hão-de ver o que nunca lhes tinham contado e observar o que nunca tinham ouvido. Quem acreditou no que ouvimos dizer? A quem se revelou o braço do Senhor? O meu servo cresceu diante do Senhor como um rebento, como raiz numa terra árida, sem distinção nem beleza para atrair o nosso olhar, nem aspecto agradável que possa cativar-nos. Desprezado e repelido pelos homens, homem de dores, acostumado ao sofrimento, era como aquele de quem se desvia o rosto, pessoa desprezível e sem valor para nós. Ele suportou as nossas enfermidades e tomou sobre si as nossas dores. Mas nós víamos nele um homem castigado, ferido por Deus e humilhado. Ele foi trespassado por causa das nossas culpas e esmagado por causa das nossas iniquidades. Caiu sobre ele o castigo que nos salva: pelas suas chagas fomos curados. Todos nós, como ovelhas, andávamos errantes, cada qual seguia o seu caminho. E o Senhor fez cair sobre ele as faltas de todos nós. Maltratado, humilhou-se voluntariamente e não abriu a boca. Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda ante aqueles que a tosquiam, ele não abriu a boca. Foi eliminado por sentença iníqua, mas quem se preocupa com a sua sorte? Foi arrancado da terra dos vivos e ferido de morte pelos pecados do seu povo. Foi-lhe dada sepultura entre os ímpios e um túmulo no meio de malfeitores, embora não tivesse cometido injustiça, nem se tivesse encontrado mentira na sua boca. Aprouve ao Senhor esmagar o seu servo pelo sofrimento. Mas se oferecer a sua vida como sacrifício de expiação, terá uma descendência duradoira, viverá longos dias e a obra do Senhor prosperará em suas mãos. Terminados os sofrimentos, verá a luz e ficará saciado na sua sabedoria. O justo, meu servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades. Por isso, Eu lhe darei as multidões como prémio e terá parte nos despojos no meio dos poderosos; porque ele próprio entregou a sua vida à morte e foi contado entre os malfeitores, tomou sobre si as culpas das multidões e intercedeu pelos pecadores.

Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL
Salmo 30 (31), 2.6.12-13.15-16.17.25

Refrão: Pai, em vossas mãos entrego o meu espírito. Repete-se

Em Vós, Senhor, me refugio,
jamais serei confundido,
pela vossa justiça, salvai-me.
Em vossas mãos entrego o meu espírito,
Senhor, Deus fiel, salvai-me. Refrão

Tornei-me o escárnio dos meus inimigos,
o desprezo dos meus vizinhos 
e o terror dos meus conhecidos:
todos evitam passar por mim.
Esqueceram-me como se fosse um morto,
tornei-me como um objecto abandonado. Refrão

Eu, porém, confio no Senhor:
Disse: «Vós sois o meu Deus,
nas vossas mãos está o meu destino».
Livrai-me das mãos dos meus inimigos
e de quantos me perseguem. Refrão

Fazei brilhar sobre mim a vossa face,
salvai-me pela vossa bondade.
Tende coragem e animai-vos,
vós todos que esperais no Senhor. Refrão

SEGUNDA LEITURA
4, 14-16; 5, 7-9

Leitura da Epístola aos Hebreus

Irmãos: Tendo nós um sumo sacerdote que penetrou os Céus, Jesus, Filho de Deus, permaneçamos firmes na profissão da nossa fé. Na verdade, nós não temos um sumo sacerdote incapaz de Se compadecer das nossas fraquezas. Pelo contrário, Ele mesmo foi provado em tudo, à nossa semelhança, excepto no pecado. Vamos, portanto, cheios de confiança, ao trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia e obtermos a graça de um auxílio oportuno. Nos dias da sua vida mortal, Ele dirigiu preces e súplicas, com grandes clamores e lágrimas, Àquele que O podia livrar da morte, e foi atendido por causa da sua piedade. Apesar de ser Filho, aprendeu a obediência no sofrimento. E, tendo atingido a sua plenitude, tornou-Se, para todos os que Lhe obedecem, causa de salvação eterna.

Palavra do Senhor.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
Filip 2, 8-9

Refrão: Glória a Vós, Senhor, Filho do Deus vivo. Repete-se

Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz.
Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome
que está acima de todos os nomes. Refrão

EVANGELHO
Jo 18, 1 - 19, 42

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

N Naquele tempo,
Jesus saiu com os seus discípulos
para o outro lado da torrente do Cedron.
Havia lá um jardim, onde Ele entrou com os seus discípulos.
Judas, que O ia entregar, conhecia também o local,
porque Jesus Se reunira lá muitas vezes
com os discípulos.
Tomando consigo uma companhia de soldados
e alguns guardas,
enviados pelos príncipes dos sacerdotes e pelos fariseus,
Judas chegou ali, com archotes, lanternas e armas.
Sabendo Jesus tudo o que Lhe ia acontecer,
adiantou-Se e perguntou-lhes:
J «A quem buscais?».
N Eles responderam-Lhe:
R «A Jesus, o Nazareno».
N Jesus disse-lhes:
«Sou Eu».
N Judas, que O ia entregar, também estava com eles.
Quando Jesus lhes disse: «Sou Eu»,
recuaram e caíram por terra.
Jesus perguntou-lhes novamente:
J «A quem buscais?».
N Eles responderam:
R «A Jesus, o Nazareno».
N Disse-lhes Jesus:
J «Já vos disse que sou Eu.
Por isso, se é a Mim que buscais,
deixai que estes se retirem».
N Assim se cumpriam as palavras que Ele tinha dito:
«Daqueles que Me deste, não perdi nenhum».
Então, Simão Pedro, que tinha uma espada,
desembainhou-a e feriu um servo do sumo sacerdote,
cortando-lhe a orelha direita.
O servo chamava-se Malco. Mas Jesus disse a Pedro:
J «Mete a tua espada na bainha.
Não hei-de beber o cálice que meu Pai Me deu?».
N Então, a companhia de soldados, 
o oficial e os guardas dos judeus
apoderaram-se de Jesus e manietaram-n’O.
Levaram-n’O primeiro a Anás,
por ser sogro de Caifás, 
que era o sumo sacerdote nesse ano.
Caifás é que tinha dado o seguinte conselho aos judeus:
«Convém que morra um só homem pelo povo».
Entretanto, Simão Pedro seguia Jesus
com outro discípulo.
Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote
e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote,
enquanto Pedro ficava à porta, do lado de fora.
Então o outro discípulo, conhecido do sumo sacerdote,
falou à porteira e levou Pedro para dentro.
A porteira disse a Pedro:
R «Tu não és dos discípulos desse homem?».
N Ele respondeu:
R «Não sou».
N Estavam ali presentes os servos e os guardas,
que, por causa do frio, tinham acendido um braseiro 
e se aqueciam.
Pedro também se encontrava com eles a aquecer-se.
Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus
acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.
Jesus respondeu-lhe:
J «Falei abertamente ao mundo.
Sempre ensinei na sinagoga e no templo,
onde todos os judeus se reúnem,
e não disse nada em segredo.
Porque Me interrogas?
Pergunta aos que Me ouviram o que lhes disse:
eles bem sabem aquilo de que lhes falei».
N A estas palavras, um dos guardas que estava ali presente
deu uma bofetada a Jesus e disse-Lhe:
R «É assim que respondes ao sumo sacerdote?».
N Jesus respondeu-lhe:
J «Se falei mal, mostra-Me em quê.
Mas, se falei bem, porque Me bates?».
N Então Anás mandou Jesus manietado
ao sumo sacerdote Caifás.
Simão Pedro continuava ali a aquecer-se.
Disseram-lhe então:
R «Tu não és também um dos seus discípulos?».
N Ele negou, dizendo:
R «Não sou».
N Replicou um dos servos do sumo sacerdote,
parente daquele a quem Pedro cortara a orelha:
R «Então eu não te vi com Ele no jardim?».
N Pedro negou novamente,
e logo um galo cantou.
Depois, levaram Jesus da residência de Caifás ao Pretório.
Era de manhã cedo. Eles não entraram no pretório, para
não se contaminarem e assim poderem comer a Páscoa.
Pilatos veio cá fora ter com eles e perguntou-lhes:
R «Que acusação trazeis contra este homem?».
N Eles responderam-lhe:
R «Se não fosse malfeitor, não t’O entregávamos».
N Disse-lhes Pilatos:
R «Tomai-O vós próprios, e julgai-O segundo a vossa lei».
N Os judeus responderam:
R «Não nos é permitido dar a morte a ninguém».
N Assim se cumpriam as palavras que Jesus tinha dito,
ao indicar de que morte ia morrer.
Entretanto, Pilatos entrou novamente no pretório,
chamou Jesus e perguntou-Lhe:
R «Tu és o Rei dos judeus?».
N Jesus respondeu-lhe:
J «É por ti que o dizes,
ou foram outros que to disseram de Mim?».

N Disse-Lhe Pilatos:
R «Porventura sou eu judeu?
O teu povo e os sumos sacerdotes
é que Te entregaram a Mim.
Que fizeste?».
N Jesus respondeu:
J «O meu reino não é deste mundo.
Se o meu reino fosse deste mundo,
os meus guardas lutariam
para que Eu não fosse entregue aos judeus.
Mas o meu reino não é daqui».
N Disse-Lhe Pilatos:
R «Então, Tu és Rei?».
N Jesus respondeu-lhe:
J «É como dizes: sou Rei.
Para isso nasci e vim ao mundo,
a fim de dar testemunho da verdade.
Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».
N Disse-Lhe Pilatos:
R «Que é a verdade?».
N Dito isto, saiu novamente para fora e declarou aos judeus:
R «Não encontro neste homem culpa nenhuma.
Mas vós estais habituados 
a que eu vos solte alguém pela Páscoa.
Quereis que vos solte o Rei dos judeus?».
N Eles gritaram de novo:
R «Esse não. Antes Barrabás».
N Barrabás era um salteador.
Então Pilatos mandou que levassem Jesus
e O açoitassem.
Os soldados teceram uma coroa de espinhos,
colocaram-Lha na cabeça
e envolveram Jesus num manto de púrpura.
Depois aproximavam-se d’Ele e diziam:
R «Salve, Rei dos judeus».
N E davam-Lhe bofetadas.
Pilatos saiu novamente para fora e disse:
R «Eu vo-l’O trago aqui fora,
para saberdes que não encontro n’Ele culpa nenhuma».

N Jesus saiu,
trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura.
Pilatos disse-lhes:
R «Eis o homem».
N Quando viram Jesus,
os príncipes dos sacerdotes e os guardas gritaram:
R «Crucifica-O! Crucifica-O!».
N Disse-lhes Pilatos:
R «Tomai-O vós mesmos e crucificai-O,
que eu não encontro n’Ele culpa alguma».
N Responderam-lhe os judeus:
R «Nós temos uma lei
e, segundo a nossa lei, deve morrer,
porque Se fez Filho de Deus».
N Quando Pilatos ouviu estas palavras, ficou assustado.
Voltou a entrar no pretório e perguntou a Jesus:
R «Donde és Tu?».
N Mas Jesus não lhe deu resposta.
Disse-Lhe então Pilatos:
R «Não me falas? Não sabes que tenho poder
para Te soltar e para Te crucificar?».
N Jesus respondeu-lhe:
J «Nenhum poder terias sobre Mim, 
se não te fosse dado do alto.
Por isso, quem Me entregou a ti tem maior pecado».
N A partir de então, Pilatos procurava libertar Jesus.
Mas os judeus gritavam:
R «Se O libertares, não és amigo de César:
todo aquele que se faz rei é contra César».
N Ao ouvir estas palavras,
Pilatos trouxe Jesus para fora
e sentou-se no tribunal,
no lugar chamado «Lagedo», em hebraico «Gabatá».
Era a Preparação da Páscoa, por volta do meio-dia.
Disse então aos judeus:
R «Eis o vosso Rei!».
N Mas eles gritaram:
R «À morte, à morte! Crucifica-O!».

N Disse-lhes Pilatos:
R «Hei-de crucificar o vosso Rei?».
N Replicaram-lhe os príncipes dos sacerdotes:
R «Não temos outro rei senão César».
N Entregou-lhes então Jesus, para ser crucificado.
E eles apoderaram-se de Jesus.
Levando a cruz,
Jesus saiu para o chamado Lugar do Calvário,
que em hebraico se diz Gólgota.
Ali O crucificaram, e com Ele mais dois:
um de cada lado e Jesus no meio.
Pilatos escreveu ainda um letreiro
e colocou-o no alto da cruz; nele estava escrito:
«Jesus, o Nazareno, Rei dos judeus».
Muitos judeus leram esse letreiro,
porque o lugar onde Jesus tinha sido crucificado 
era perto da cidade.
Estava escrito em hebraico, grego e latim.
Diziam então a Pilatos
os príncipes dos sacerdotes dos judeus:
R «Não escrevas: ‘Rei dos judeus’,
mas que Ele afirmou: ‘Eu sou o Rei dos judeus’».
N Pilatos retorquiu:
R «O que escrevi está escrito».
N Quando crucificaram Jesus,
os soldados tomaram as suas vestes,
das quais fizeram quatro lotes, um para cada soldado,
e ficaram também com a túnica.
A túnica não tinha costura:
era tecida de alto a baixo como um todo.
Disseram uns aos outros:
R «Não a rasguemos, mas lancemos sortes,
para ver de quem será».
N Assim se cumpria a Escritura:
«Repartiram entre si as minhas vestes
e deitaram sortes sobre a minha túnica».
Foi o que fizeram os soldados.
Estavam junto à cruz de Jesus
sua Mãe, a irmã de sua Mãe,
Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
Ao ver sua Mãe e o discípulo predilecto,
Jesus disse a sua Mãe:
J «Mulher, eis o teu filho».
N Depois disse ao discípulo:
J «Eis a tua Mãe».
N E a partir daquela hora,
o discípulo recebeu-a em sua casa.
Depois, sabendo que tudo estava consumado
e para que se cumprisse a Escritura,
Jesus disse:
J «Tenho sede».
N Estava ali um vaso cheio de vinagre.
Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre
e levaram-Lha à boca.
Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou:
J «Tudo está consumado».
N E, inclinando a cabeça, expirou.
N Por ser a Preparação, e para que os corpos
não ficassem na cruz durante o sábado,
– era um grande dia aquele sábado –
os judeus pediram a Pilatos
que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro,
depois ao outro que tinha sido crucificado com ele.
Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto,
não Lhe quebraram as pernas,
mas um dos soldados
trespassou-Lhe o lado com uma lança,
e logo saiu sangue e água.
Aquele que viu é que dá testemunho
e o seu testemunho é verdadeiro.
Ele sabe que diz a verdade, 
para que também vós acrediteis.
Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz:
«Nenhum osso Lhe será quebrado».
Diz ainda outra passagem da Escritura:
«Hão-de olhar para Aquele que trespassaram».
Depois disto, José de Arimateia,
que era discípulo de Jesus,
embora oculto por medo dos judeus,
pediu licença a Pilatos para levar o corpo de Jesus.
Pilatos permitiu-lho.
José veio então tirar o corpo de Jesus.
Veio também Nicodemos,
aquele que, antes, tinha ido de noite ao encontro de Jesus.
Trazia uma mistura de quase cem libras de mirra e aloés.
Tomaram o corpo de Jesus
e envolveram-no em ligaduras juntamente com os perfumes,
como é costume sepultar entre os judeus.
No local em que Jesus tinha sido crucificado,
havia um jardim e, no jardim, um sepulcro novo,
no qual ainda ninguém fora sepultado.
Foi aí que, por causa da Preparação dos judeus,
porque o sepulcro ficava perto,
depositaram Jesus.

Palavra da salvação.


domingo, 1 de janeiro de 2023

Santa Maria Mãe de Deus - Solenidade

PRIMEIRA LEITURA
Num 6, 22-27

Invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei

Leitura do Livro dos Números 

O Senhor disse a Moisés: «Fala a Aarão e aos seus filhos e diz-lhes: Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo: ‘O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz’. Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e Eu os abençoarei». 

Palavra do Senhor. 

SALMO RESPONSORIAL
Salmo 66 (67), 2-3.5.6 e 8

Refrão: Deus Se compadeça de nós 
e nos dê a sua bênção. Repete-se 

Deus Se compadeça de nós e nos dê a sua bênção, 
resplandeça sobre nós a luz do seu rosto. 
Na terra se conhecerão os seus caminhos 
e entre os povos a sua salvação. Refrão 

Alegrem-se e exultem as nações, 
porque julgais os povos com justiça 
e governais as nações sobre a terra. Refrão 

Os povos Vos louvem, ó Deus, 
todos os povos Vos louvem. 
Deus nos dê a sua bênção 
e chegue o seu temor aos confins da terra. Refrão 

SEGUNDA LEITURA
Gal 4, 4-7

Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Gálatas 

Irmãos: Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei, para resgatar os que estavam sujeitos à Lei e nos tornar seus filhos adoptivos. E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: «Abá! Pai!». Assim, já não és escravo, mas filho. E, se és filho, também és herdeiro, por graça de Deus.

Palavra do Senhor. 

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
Hebr 1, 1-2

Refrão: Aleluia. Repete-se 

Muitas vezes e de muitos modos 
falou Deus antigamente aos nossos pais pelos Profetas. 
Nestes dias, que são os últimos, 
Deus falou-nos por seu Filho. Refrão 

EVANGELHO
Lc 2, 16-21

Encontraram Maria, José e o Menino

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 

Naquele tempo, os pastores dirigiram-se apressadamente para Belém e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura. Quando O viram, começaram a contar o que lhes tinham anunciado sobre aquele Menino. E todos os que ouviam admiravam-se do que os pastores diziam. Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração. Os pastores regressaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes tinha sido anunciado. Quando se completaram os oito dias para o Menino ser circuncidado, deram-Lhe o nome de Jesus, indicado pelo Anjo, antes de ter sido concebido no seio materno. 

Palavra da salvação. 

domingo, 13 de novembro de 2022

XXXIII Domingo do Tempo Comum Ano C

XXXIII Domingo do Tempo Comum Ano C 

PRIMEIRA LEITURA
Mal 3, 19-20a

«Para vós nascerá o sol de justiça»

Leitura da Profecia de Malaquias

Há-de vir o dia do Senhor, ardente como uma fornalha; e serão como a palha todos os soberbos e malfeitores. O dia que há-de vir os abrasará – diz o Senhor do Universo – e não lhes deixará raiz nem ramos. Mas para vós que temeis o meu nome, nascerá o sol de justiça, trazendo nos seus raios a salvação. 

Palavra do Senhor. 

SALMO RESPONSORIAL
Salmo 97 (98), 5-9 (R. cf. 9)

Refrão: O Senhor virá governar com justiça. Repete-se 

Ou: O Senhor julgará o mundo com justiça. Repete-se. 

Cantai ao Senhor ao som da cítara, 
ao som da cítara e da lira; 
ao som da tuba e da trombeta, 
aclamai o Senhor, nosso Rei. Refrão 

Ressoe o mar e tudo o que ele encerra, 
a terra inteira e tudo o que nela habita; 
aplaudam os rios 
e as montanhas exultem de alegria. Refrão 

Diante do Senhor que vem, 
que vem para julgar a terra; 
julgará o mundo com justiça 
e os povos com equidade. Refrão 

SEGUNDA LEITURA
2 Tes 3, 7-12

«Quem não quer trabalhar, também não deve comer»

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo aos Tessalonicenses 

Irmãos: Vós sabeis como deveis imitar-nos, pois não vivemos entre vós na ociosidade, nem comemos de graça o pão de ninguém. Trabalhámos dia e noite, com esforço e fadiga, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não é que não tivéssemos esse direito, mas quisemos ser para vós exemplo a imitar. Quando ainda estávamos convosco, já vos dávamos esta ordem: quem não quer trabalhar, também não deve comer. Ouvimos dizer que alguns de vós vivem na ociosidade, sem fazerem trabalho algum, mas ocupados em futilidades. A esses ordenamos e recomendamos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que trabalhem tranquilamente, para ganharem o pão que comem. 

Palavra do Senhor. 

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
Lc 21, 28

Refrão: Aleluia. Repete-se 

Erguei-vos e levantai a cabeça, 
porque a vossa libertação está próxima. Refrão

EVANGELHO
Lc 21, 5-19

«Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas»

 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas». 

Palavra da salvação.

domingo, 24 de abril de 2022

II Domingo de Páscoa ou da Divina Misericórdia

PRIMEIRA LEITURA
Actos 5, 12-16

Cada vez mais gente aderia ao Senhor pela fé, uma multidão de homens e mulheres

Leitura dos Actos dos Apóstolos

Pelas mãos dos Apóstolos realizavam-se muitos milagres e prodígios entre o povo. Unidos pelos mesmos sentimentos, reuniam-se todos no Pórtico de Salomão; nenhum dos outros se atrevia a juntar-se a eles, mas o povo enaltecia-os. Uma multidão cada vez maior de homens e mulheres aderia ao Senhor pela fé, de tal maneira que traziam os doentes para as ruas e colocavam-nos em enxergas e em catres, para que, à passagem de Pedro, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles. Das cidades vizinhas de Jerusalém, a multidão também acorria, trazendo enfermos e atormentados por espíritos impuros e todos eram curados.

Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL
Salmo 117 (118), 2-4.22-24.25-27ª

Refrão: Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom,
porque é eterna a sua misericórdia. Repete-se

Ou: Aclamai o Senhor, porque Ele é bom:
o seu amor é para sempre. Repete-se

Ou: Aleluia. Repete-se

Diga a casa de Israel:
é eterna a sua misericórdia.
Diga a casa de Aarão:
é eterna a sua misericórdia.
Digam os que temem o Senhor:
é eterna a sua misericórdia. Refrão

A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se pedra angular.
Tudo isto veio do Senhor:
é admirável aos nossos olhos.
Este é o dia que o Senhor fez:
exultemos e cantemos de alegria. Refrão

Senhor, salvai os vossos servos,
Senhor, dai-nos a vitória.
Bendito o que vem em nome do Senhor,
da casa do Senhor nós vos bendizemos.
O Senhor é Deus
e fez brilhar sobre nós a sua luz. Refrão

SEGUNDA LEITURA
Ap 1, 9-11a.12-13.17-19

Estive morto, mas eis-Me vivo pelos séculos dos séculos

Leitura do Livro do Apocalipse

Eu, João, vosso irmão e companheiro nas tribulações, na realeza e na perseverança em Jesus, estava na ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. No dia do Senhor fui movido pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, semelhante à da trombeta, que dizia: «Escreve num livro o que vês e envia-o às sete Igrejas». Voltei-me para ver de quem era a voz que me falava; ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro e, no meio dos candelabros, alguém semelhante a um filho do homem, vestido com uma longa túnica e cingido no peito com um cinto de ouro. Quando o vi, caí a seus pés como morto. Mas ele poisou a mão direita sobre mim e disse-me: «Não temas. Eu sou o Primeiro e o Último, o que vive. Estive morto, mas eis-Me vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e da morada dos mortos. Escreve, pois, as coisas que viste, tanto as presentes como as que hão-de acontecer depois destas».

Palavra do Senhor.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
Jo 20, 29

Refrão: Aleluia. Repete-se

Disse o Senhor a Tomé:
«Porque Me viste, acreditaste;
felizes os que acreditam sem terem visto. Refrão

EVANGELHO
Jo 20, 19-31

Oito dias depois, veio Jesus..

 Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou-Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos». Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.

Palavra da salvação.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Maria, terna Mãe!

Ó minha bendita Mãe! 
É desta forma que os homens respondem ao amor que lhes mostrastes, consentindo que vosso Jesus morresse pela nossa salvação. Ingratos como são, nem depois de o haverem crucificado, deixam de persegui-lo com os seus pecados, e assim continuam também a afligir-vos, ó grande Rainha dos Mártires. Eu também sou um daqueles infelizes. Ah! minha Mãe dulcíssima, alcançai-me lágrimas para chorar tamanha ingratidão. Pela dor que sentistes, quando vosso Filho se despediu de vós para ir ao encontro da morte, intercede para que receba a graça de contemplar sempre com fruto os mistérios dolorosos da sua Paixão, especialmente nestes dias em que a recordamos de forma especial. Esta graça eu vo-la peço pelo amor do mesmo Jesus Cristo; de vós a espero Santíssima e terna Mãe!

Fernando Ilídio