sábado, 5 de maio de 2018

Momento de reflexão


Sábado da 5ª semana da Páscoa

Santo Atanásio (295-373), bispo de Alexandria, doutor da Igreja
Sobre a Encarnação do Verbo, 27-29; PG 25,143; SC 199.

«Não sois do mundo, pois a minha escolha vos separou do mundo»


A morte, uma vez vencida pelo Salvador e pregada na cruz como que num pelourinho, será pisada por todos os que caminham em Cristo. Prestando homenagem a Cristo, estes zombam da morte, não lhe dão importância e repetem o que foi escrito sobre ela: «Morte, onde está a tua vitória? Inferno, onde está o teu ferrão?» (1Cor 15,55; Os 13,14). [...] Será fraca demonstração da vitória obtida pelo Salvador sobre ela que os cristãos, crianças e jovens, desprezem a vida presente e prefiram morrer a renegar a sua fé? O homem teme naturalmente a morte e a dissolução do seu corpo; mas, coisa extraordinária, aquele que se revestiu da fé na cruz despreza este sentimento natural e, por Cristo, já não teme a morte. [...] 

Se a morte, outrora tão forte e por isso mesmo tão temível, é desprezada após a vinda do Salvador, após a sua morte corporal e a sua ressurreição, é evidente que foi por Cristo na cruz que ela foi aniquilada e vencida. Quando, no final da noite, o Sol aparece e ilumina toda a superfície da Terra, não há qualquer dúvida de que o sol que difunde a sua luz por toda a parte é o mesmo que afugentou as trevas e tudo iluminou. Assim, [...] é evidente que o Salvador manifestado no seu corpo é precisamente Aquele que destruiu a morte e que todos os dias demonstra a sua vitória sobre ela nos seus discípulos. [...] Quando vemos homens, mulheres e crianças correrem a lançar-se para a morte pela sua fé em Cristo, quem seria tão tolo, quem seria tão incrédulo, quem seria tão cego que não compreendesse e pensasse que é Cristo, a quem esses homens prestam homenagem, que dá a cada um a vitória sobre a morte, ao destruir o poder desta em todos os que têm fé n'Ele e ostentam o sinal da sua cruz?

Leituras do dia

05 de Maio de 2018
Sábado da 5ª semana da Páscoa

Livro dos Actos dos Apóstolos 16,1-10. 
Naqueles dias, Paulo chegou a Derbe e depois a Listra. Havia lá um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia crente e de pai grego. 
Os irmãos de Listra e de Icónio davam dele bom testemunho. 
Querendo Paulo levá-lo consigo, mandou-o circuncidar, por causa dos judeus que havia na região, pois todos sabiam que seu pai era grego. 
Nas cidades por onde passavam, transmitiam as decisões dos Apóstolos e anciãos de Jerusalém, recomendando que se cumprissem. 
Desse modo as Igrejas eram confirmadas na fé e cresciam em número, de dia para dia. 
Como o Espírito Santo os tinha impedido de anunciarem a palavra de Deus na Ásia, atravessaram a Frígia e o território da Galácia. 
Quando chegaram à fronteira da Mísia, tentaram dirigir-se à Bítínia, mas o Espírito de Jesus não lho permitiu. 
Atravessaram então a Mísia e desceram a Tróade. 
Durante a noite, Paulo teve uma visão: Um macedónio estava de pé diante dele e fazia-lhe este pedido: «Passa à Macedónia e vem ajudar-nos». 
Logo que ele teve esta visão, procurámos partir para a Macedónia, convencidos de que Deus nos chamava para anunciar ali o Evangelho. 

Livro de Salmos 100(99),1-2.3.5. 
Aclamai o Senhor, terra inteira, 
servi o Senhor com alegria, 
vinde a Ele com cânticos de júbilo. 
Sabei que o Senhor é Deus, Ele nos fez, a Ele pertencemos, somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho. 

Porque o Senhor é bom, eterna é a sua misericórdia, a sua fidelidade estende-se de geração em geração. 

Evangelho segundo S. João 15,18-21. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro Me odiou a Mim. 
Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu. Mas porque não sois do mundo, pois a minha escolha vos separou do mundo, é por isso que o mundo vos odeia. 
Lembrai-vos das palavras que Eu vos disse: ‘O servo não é mais do que o seu senhor’. 
Se Me perseguiram a Mim, também vos perseguirão a vós. Se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. 
Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem Aquele que Me enviou».

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Momento de reflexão

  
Momento de reflexão

Sexta-feira da 5ª semana da Páscoa

São João Clímaco (c. 575-c. 650), monge do Monte Sinai 
«A escada santa»

Retirar o precioso do vil, isto é, amar o próximo


Há pessoas que, por caridade espiritual, carregam os fardos dos outros para além das suas próprias forças, recordando-se daquela passagem: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos». 

Há outras que, embora tenham indubitavelmente recebido de Deus força para assumir responsabilidade pelos outros, não tomam sobre si esta carga pela salvação dos seus irmãos. São pessoas que lamento, porque não têm caridade. 

Às primeiras aplico as seguintes palavras: «Se conseguires retirar o precioso do vil, serás como a minha boca» (Jer 15,19); e: «Como tiveres feito assim se fará contigo» (Abd 1,15). 

Vi um doente curar, com a sua fé, a enfermidade de outro doente, usando para com Deus uma louvável desfaçataz, ao dar a sua alma pela alma de seu irmão, com toda a humildade; curando-o, curou-se a si próprio. E vi outro que fazia o mesmo, mas por orgulho, e que ouviu a seguinte reprimenda: «Médico, cura-te a ti próprio» (Lc 4,23).

Leituras do dia

 04 de Maio de 2018
Sexta-feira da 5ª semana da Páscoa

Livro dos Actos dos Apóstolos 15,22-31. 
Naqueles dias, os Apóstolos e os anciãos, de acordo com toda a Igreja de Jerusalém, resolveram escolher alguns irmãos, para os mandarem a Antioquia com Barnabé e Paulo: eram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens de autoridade entre os irmãos. 
Mandaram por eles esta carta: «Os Apóstolos e os anciãos, irmãos vossos, saúdam os irmãos de origem pagã residentes em Antioquia, na Síria e na Cilícia. 
Tendo sabido que, sem nossa autorização, alguns dos nossos vos foram inquietar, perturbando as vossas almas com as suas palavras, 
resolvemos, de comum acordo, escolher delegados para vo-los enviarmos, juntamente com os nossos queridos Barnabé e Paulo, 
homens que expuseram a sua vida pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. 
Por isso vos mandamos Judas e Silas, que vos transmitirão de viva voz as nossas decisões. 
O Espírito Santo e nós decidimos não vos impor mais nenhuma obrigação, além destas que são indispensáveis: 
abster-vos da carne imolada aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das relações imorais. Procedereis bem, evitando tudo isso. Adeus». 
Feitas as despedidas, os delegados desceram a Antioquia, onde reuniram a assembleia e entregaram a carta. 
Quando a leram, todos ficaram contentes com aquelas palavras de estímulo. 

Livro de Salmos 57(56),8-9.10-12. 
Firme está meu coração, ó Deus; meu coração está firme: 
quero cantar e salmodiar. 
Desperta, minha alma; despertai, lira e cítara: 

quero acordar a aurora. 
Louvar-Vos-ei, Senhor, entre os povos, 
cantar-Vos-ei entre as nações; 

porque aos céus se eleva a vossa bondade 
e até às nuvens a vossa fidelidade. 

Evangelho segundo S. João 15,12-17. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. 
Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. 
Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. 
Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. 
Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. 
O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Momento de reflexão

Momento de reflexão

SS. Filipe e Tiago, apóstolos - festa

São Vicente de Paulo (1581-1660), presbítero, fundador de comunidades religiosas 
Conversas com as Filhas da Caridade, 01/05/1648

Como Jesus formou os seus apóstolos


Sabeis, irmãs, que as conferências serviram a Nosso Senhor para estabelecer a sua Igreja. Começou a fazê-las quando reuniu os seus apóstolos; depois, quando a Companhia cresceu, e Ele passou a contar com apóstolos e discípulos, fazia assembleias com eles; e foi numa conferência dessas que S. Filipe, cuja festa celebramos hoje, disse a Nosso Senhor: «Senhor, falaste-nos do teu Pai, mas mostra-nos o teu Pai»; ao que Nosso Senhor lhe respondeu: «Quem Me vê, vê meu Pai; meu Pai e Eu somos um só.» 

Nestas conferências, os apóstolos colocavam as suas dúvidas e Nosso Senhor respondia-lhes. Tratava do progresso da Igreja e dos meios de que Deus Se serviria para fazê-la florescer. De tal maneira, queridas irmãs, que podemos dizer, e é certo, que foi o próprio Jesus Cristo que instituiu as conferências, e que Se serviu delas para o começo, o progresso e a perfeição da sua Igreja; após a sua morte e a sua ascensão gloriosa, o meio que utilizou para dar instruções aos fiéis através dos apóstolos e dos sacerdotes foram as conferências. Não havia sermões; reunidos os cristãos, começava a conferência.

Leituras do dia 03 de Maio de 2018

03 de Maio de 2018
SS. Filipe e Tiago, apóstolos - festa

1ª Carta aos Coríntios 15,1-8. 
Recordo-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei e que recebestes, no qual permaneceis 
e pelo qual sereis salvos, se o conservais como eu vo-lo anunciei; aliás teríeis abraçado a fé em vão. 
Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; 
foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, 
e apareceu a Pedro e depois aos Doze. 
Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maior parte ainda vive, enquanto alguns já faleceram. 
Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos. 
Em último lugar, apareceu-me também a mim, como o abortivo. 

Livro de Salmos 19(18),2-3.4-5. 
Os céus proclamam a glória de Deus 
e o firmamento anuncia a obra das suas mãos. 
O dia transmite ao outro esta mensagem 
e a noite a dá a conhecer à outra noite. 

Não são palavras nem linguagem 
cujo sentido se não perceba. 
O seu eco ressoou por toda a terra 
e a sua notícia até aos confins do mundo. 

Evangelho segundo S. João 14,6-14. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida: ninguém vai ao Pai senão por Mim. 
Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». 
Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta».
Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’?
Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras.
Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras.
Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai.
E tudo quanto pedirdes em meu nome, Eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
Se pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu a farei».

segunda-feira, 10 de novembro de 2014


Segunda-feira da 32ª semana do Tempo Comum
Comentário do dia 
Isaac da Estrela (?-c. 1171), monge cisterciense 
Sermão 31: PL 194,1792, SC 207
Perdoar sete vezes ao dia
«Levai os fardos uns dos outros de outros; assim cumprireis a lei de Cristo»; «Suportai-vos uns aos outros com amor» (Gal 6,2; Ef 4,2): é esta a lei de Cristo. Quando vejo no meu irmão alguma coisa incorrigível, como resultado de dificuldades ou de enfermidades físicas ou morais, porque não suportá-lo com paciência, porque não consolá-lo com todo o coração, segundo a palavra da Escritura: «Os seus filhos serão levados ao colo e consolados sobre os joelhos» (Is 66,12)? Faltar-me-á essa caridade que tudo suporta, que é paciente para apoiar, indulgente para amar (cf 1Cor 13,7)? De qualquer maneira, esta é a lei de Cristo: na sua Paixão, Ele realmente «tomou sobre Si as nossas enfermidades» e, na sua misericórdia, «carregou com as nossas dores» (Is 53,4), amando aqueles que carregava, carregando aqueles que amava.

Quem, ao contrário, é agressivo para com o irmão em dificuldades, quem o atormenta pelas suas fraquezas, sejam elas quais forem, submete-se obviamente à lei do diabo e executa-a. Sejamos pois compassivos uns com os outros e cheios de amor fraternal; suportemos as fraquezas e lutemos contra os vícios. […] E qualquer tipo de vida que permita entregar-se com mais sinceridade ao amor de Deus e, por Ele, ao amor ao próximo – seja na vida religiosa ou na vida laica – é verdadeiramente agradável a Deus.