sexta-feira, 11 de maio de 2018

Momento de reflexão


Sexta-feira da 6ª semana da Páscoa

São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja 
Comentário sobre S. João

Alegria pela visão do Senhor ressuscitado, alegria pela visão da glória


Depois de ter aplicado a comparação [da mulher que dá à luz] à tristeza dos apóstolos, o Senhor aplica-a à alegria futura dos mesmos apóstolos, dizendo-lhes: «Eu hei de ver-vos de novo». Não lhes diz: «ver-Me-eis», mas «Eu hei de ver-vos», porque o facto de Se mostrar provém da sua misericórdia, que é significada pelo seu olhar. Diz, pois: «Eu hei de ver-vos de novo», tanto no momento da ressurreição, como na glória futura: «Os teus olhos contemplarão um rei no seu esplendor» (Is 33,17). 

Em seguida, promete-lhes a alegria do coração e a exultação, dizendo-lhes: «O vosso coração se alegrará», com a alegria de Me ver ressuscitado. Por isso, a Igreja canta: «Eis o dia que fez o Senhor, alegremo-nos e nele rejubilemos» (Sl 117,24). E «o vosso coração se alegrará» também pela visão da glória: «saciar-me de alegria na tua presença» (Sl 15,11). Com efeito, todos os seres encontram naturalmente a sua alegria na contemplação da realidade amada. Ora, ninguém pode ver a essência divina sem a amar. Deste modo, a alegria acompanha necessariamente esta visão: «Vê-l'O-eis» conhecendo-O pela inteligência, «e o vosso coração alegrar-se-á» (Is 60,5); e essa alegria refletir-se-á no corpo, quando este for glorificado. Isaías acrescenta: «os vossos ossos retomarão vigor» (Is 66,14). «Entra na alegria do teu Senhor» (Mt 25,21). 

Finalmente, o Senhor promete uma alegria que durará para sempre quando diz: «a vossa alegria», aquela que tireis quando eu ressuscitar. «Rejubilo de alegria no Senhor» (Is 61,10); «e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria» porque «Cristo, ressuscitado de entre os mortos, já não morrerá; a morte não tem mais domínio sobre Ele» (Rom 6,9). Ou ainda, «a vossa alegria», a alegria de gozar da glória, «ninguém vos poderá tirar», porque não pode ser perdida e é perpétua: «com a alegria estampada nos seus rostos» (Is 35,10). 

Com efeito, ninguém tirará esta alegria a si próprio pelo pecado, porque nessa altura a vontade de todos estará firmada no bem; e também ninguém tirará esta alegria a outro, porque nessa altura não haverá violência nem ninguém prejudicará outro.

Leituras do dia

11 de Maio de 2018
Sexta-feira da 6ª semana da Páscoa

Livro dos Actos dos Apóstolos 18,9-18. 
Quando Paulo estava em Corinto, certa noite o Senhor disse-lhe numa visão: «Não temas, continua a falar, 
que Eu estou contigo e ninguém porá as mãos sobre ti, para te fazer mal, pois tenho um povo numeroso nesta cidade». 
Então Paulo demorou-se ali ano e meio a ensinar aos coríntios a palavra de Deus. 
Quando Galião era procónsul da Acaia, os judeus levantaram-se todos contra Paulo e levaram-no ao tribunal, 
dizendo: «Este homem induz as pessoas a prestarem culto a Deus à margem da lei». 
Quando Paulo ia a abrir a boca, disse Galião aos judeus: «Judeus, se se tratasse de alguma injustiça ou grave delito, escutaria certamente as vossas queixas, como é meu dever. 
Uma vez, porém, que são questões de doutrina e de nomes da vossa própria lei, o assunto é convosco. Eu não quero ser juiz dessas coisas». 
E mandou-os sair do tribunal. 
Todos então se apoderaram de Sóstenes, chefe da sinagoga, e começaram a bater-lhe em frente do tribunal. Mas Galião não se importou nada com isso. 
Paulo demorou-se ainda algum tempo em Corinto; depois despediu-se dos irmãos e embarcou para a Síria, em companhia de Priscila e Áquila, e rapou a cabeça em Cêncreas, por causa de um voto que fizera. 

Livro de Salmos 47(46),2-3.4-5.6-7. 
Povos todos, batei palmas, 
aclamai a Deus com brados de alegria, 
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível, 
o rei soberano de toda a terra. 

Submeteu os povos à nossa obediência 
e pôs as nações a nossos pés. 
Para nós escolheu a nossa herança, 
glória de Jacob, por Ele amado. 

Deus subiu entre aclamações, 
o Senhor subiu ao som da trombeta. 
Cantai hinos a Deus, cantai, 
cantai hinos ao nosso rei, cantai. 

Evangelho segundo S. João 16,20-23a. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Em verdade, em verdade vos digo: Chorareis e lamentar-vos-eis, enquanto o mundo se alegrará. Estareis tristes, mas a vossa tristeza converter-se-á em alegria.
A mulher, quando está para ser mãe, sente angústia, porque chegou a sua hora. Mas depois que deu à luz um filho, já não se lembra do sofrimento, pela alegria de ter dado um homem ao mundo.
Também vós agora estais tristes; mas Eu hei de ver-vos de novo e o vosso coração se alegrará e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria.
Nesse dia, não Me fareis nenhuma pergunta».

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Momento de reflexão

Quarta-feira da 6ª semana da Páscoa

Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego 
Catequeses, 33; SC 113

«Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena»


A «chave do conhecimento» (Lc 11,52) é a graça do Espírito Santo, que é dada pela fé. Pela iluminação, ela produz um conhecimento muito real, e mesmo o conhecimento completo. Ela abre o nosso espírito fechado na obscuridade, muitas vezes com parábolas e símbolos, mas também com declarações mais claras. [...] Prestai pois muita atenção ao sentido espiritual da palavra. Se a chave não for adequada, a porta não se abrirá. Porque, como disse o Bom Pastor, «é a ele que o porteiro abre» (Jo 10,3). Mas, se a porta não se abrir, ninguém entra na casa do Pai, porque Cristo disse: «Ninguém vai ao Pai senão por Mim» (Jo 14,6). 

Ora, é o Espírito Santo quem primeiro abre o nosso espírito e nos ensina o que se refere ao Pai e ao Filho. Cristo disse-nos: «O Espírito da Verdade, que procede do Pai, e que Eu vos hei de enviar da parte do Pai, dará testemunho a meu favor, e guiar-vos-á a toda a verdade» (Jo 15,26; 16,13). Vede como, pelo Espírito, ou melhor, no Espírito, o Pai e o Filho Se dão a conhecer inseparavelmente. [...] 

Se chamamos ao Espírito Santo uma chave, é porque é primeiramente por Ele e n'Ele que o nosso espírito é iluminado. Uma vez purificados, somos iluminados pela luz do conhecimento. Somos batizados do alto, recebemos um novo nascimento e tornamo-nos filhos de Deus, como disse São Paulo: «O Espírito Santo intercede por nós com gemidos inefáveis» (Rom 8,26). E ainda: «Deus enviou aos nossos corações o Espírito que clama: "Abba, Pai"» (Gal 4,6). É por conseguinte Ele que nos mostra a porta, porta que é luz, e a porta ensina-nos que Aquele que habita esta casa é também luz inacessível.

Leituras do dia


09 de Maio de 2018
Quarta-feira da 6ª semana da Páscoa

Livro dos Actos dos Apóstolos 17,15.22-34.18,1. 
Naqueles dias, os que acompanhavam Paulo levaram-no a Atenas e voltaram em seguida, encarregados de transmitirem a Silas e a Timóteo a ordem de irem ter com Paulo o mais depressa possível. 
Um dia, Paulo, de pé no meio do Areópago, disse: «Atenienses, vejo que sois em tudo extremamente religiosos. 
Na verdade, quando eu andava percorrendo a vossa cidade e observando os vossos monumentos sagrados, encontrei até um altar com a inscrição: ‘Ao Deus desconhecido’. Pois bem: Aquele que venerais sem O conhecer, é esse que eu vos anuncio. 
O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe é o Senhor do céu e da terra. Não habita em templos feitos por mãos humanas, 
nem é servido pelas mãos dos homens, como se tivesse necessidade de alguma coisa. É Ele que a todos dá a vida, a respiração e tudo o mais. 
Criou de um só homem todo o género humano, para habitar sobre a superfície da terra, e fixou períodos determinados e os limites da sua habitação, 
para que os homens procurassem a Deus e se esforçassem realmente para O atingir e encontrar. Na verdade, Ele não está longe de cada um de nós. 
É n’Ele que vivemos, nos movemos e existimos, como disseram alguns dos vossos poetas: ‘Somos da raça de Deus’. 
Se nós somos da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e engenho do homem. 
Sem olhar a estes tempos de ignorância, Deus fez saber agora aos homens que todos e em toda a parte se devem arrepender;
pois Ele fixou um dia em que há-de julgar o universo com justiça por meio de um homem que escolheu, e deu a todos motivo de crédito, ressuscitando-O de entre os mortos». 
Ao ouvirem falar da ressurreição dos mortos, alguns zombavam, mas outros disseram: «Havemos de te ouvir falar disto ainda outra vez». 
Foi assim que Paulo saiu do meio deles. 
No entanto, alguns homens juntaram-se a Paulo e abraçaram a fé: entre eles, Dionísio, o Areopagita, e também uma mulher chamada Dâmaris, e outros com eles. 
Depois disto, Paulo saiu de Atenas e foi para Corinto. 

Livro de Salmos 148(147),1-2.11-12ab.12c-14a.14bcd. 
Louvai o Senhor do alto dos céus, 
louvai-O nas alturas, 
Todos os seus anjos louvai-O, 
exércitos celestes louvai-O, 
sol e lua louvai-O, 
estrelas luminosas louvai-O. 

Reis e povos do mundo, 
príncipes e todos os juízes da terra, 
jovens e donzelas, 
velhos e crianças; 
e as crianças!  
Louvem todos o nome do Senhor, 

porque o seu nome é sublime, 
a sua majestade está acima do céu e da terra. 
Exaltou a força do seu povo: 
louvem-n’O todos os seus fiéis, 
os filhos de Israel, 
seu povo eleito. 

Evangelho segundo S. João 16,12-15. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis compreender agora.
Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará para a verdade plena; porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir.
Ele Me glorificará, porque receberá do que é meu e vos há de anunciá-lo.
Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso vos disse que Ele receberá do que é meu e vos há de anunciá-lo».

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Momento de reflexão


São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja 
3.º sermão para o Pentecostes

«É do vosso interesse que Eu vá»-


O Espírito Santo estendeu a sua sombra sobre a Virgem Maria (Lc 1,35) e, no dia de Pentecostes, fortificou os apóstolos; a Ela, fê-lo para suavizar o efeito da vinda da divindade ao seu corpo virginal e a eles, para os revestir com a força do alto (cf Lc 24,49), isto é, com a mais ardente caridade. [...] Como teriam eles, na sua fraqueza, podido cumprir a sua missão de triunfar sobre a morte sem esse amor mais forte que a morte, e de não permitir que as portas do abismo prevalecessem sobre eles sem esse amor mais inflexível que o abismo (cf Mt 16,18; Cant 8,6)? Ao ver esse zelo, alguns julgaram-nos ébrios (cf At 2,13). Efetivamente, estavam ébrios, mas de um vinho novo [...], aquele que a «verdadeira videira» deixara derramar do alto do Céu, aquele que «alegra o coração do homem» (Jo 15,1; Sl 103,15). [...] Era um vinho novo para os habitantes da Terra, mas que no Céu se encontrava em abundância [...], jorrava em golfadas pelas ruas e pelas praças da cidade santa, por onde espalhava a alegria do coração. [...] 

Havia no Céu um vinho especial que a Terra desconhecia. Mas a Terra tinha também alguma coisa que lhe era própria e que era a sua glória — a carne de Cristo — e o Céu tinha uma grande sede da presença dessa carne. Quem poderia, pois, impedir essa troca tão certa e tão rica em graça entre o Céu e a Terra, entre os anjos e os apóstolos, de forma que a Terra possuísse o Espírito Santo e o Céu a carne de Cristo? [...] «Se Eu não for, o Paráclito não virá a vós», disse Jesus. Quer dizer, se não deixais partir aquilo que amais, não obtereis o que desejais. «É melhor para vós que Eu vá» e que vos transporte da Terra ao Céu, da carne ao espírito; pois o Pai é espírito, o Filho é espírito e o Espírito Santo é também espírito. [...] E o Pai «é espírito; por isso, os que O adoram devem adorá-l'O em espírito e verdade» (Jo 4,23-24).

Leituras do dia

08 de Maio de 2018
Terça-feira da 6ª semana da Páscoa

Livro dos Actos dos Apóstolos 16,22-34. 
Naqueles dias, a multidão dos habitantes de Filipos amotinou-se contra Paulo e Silas e os magistrados mandaram que lhes arrancassem as vestes e os açoitassem.
Depois de lhes terem dado muitas vergastadas, meteram-nos na cadeia e ordenaram ao carcereiro que os guardasse cuidadosamente. 
Ao receber semelhante ordem, o carcereiro lançou-os no calaboiço interior e prendeu-lhes os pés no cepo. 
Por volta da meia-noite, Paulo e Silas, em oração, entoavam louvores a Deus e os outros presos escutavam-nos. 
De repente, sentiu-se um tremor de terra tão grande que abalou os alicerces da prisão. Todas as portas se abriram e soltaram-se as cadeias de todos os presos. 
O carcereiro acordou e, ao ver abertas as portas da prisão, puxou da espada e queria suicidar-se, julgando que os presos se tinham evadido. 
Mas Paulo bradou com voz forte: «Não faças nenhum mal a ti mesmo, pois nós estamos todos aqui». 
O carcereiro pediu uma luz, correu para dentro e lançou-se, a tremer, aos pés de Paulo e Silas. 
Depois trouxe-os para fora e perguntou-lhes: «Senhores, que devo fazer para ser salvo?» 
Eles responderam-lhe: «Acredita no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua família». 
E anunciaram-lhe a palavra do Senhor, bem como a todos os que viviam em sua casa. 
O carcereiro, àquela hora da noite, tomou-os consigo, lavou-lhes as feridas e logo recebeu o Batismo, juntamente com todos os seus. 
Depois mandou-os subir para sua casa, pôs-lhes a mesa e alegrou-se com toda a sua família, por ter acreditado em Deus.

Livro de Salmos 138(137),1-2a.2bc-3.7c-8. 
De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças, 
porque ouvistes as palavras da minha boca. 
Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar 
e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo. 

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade 
e fidelidade, 
porque exaltastes acima de tudo o vosso nome 
e a vossa promessa. 

Quando Vos invoquei, me respondestes, 
aumentastes a fortaleza da minha alma. 
A vossa mão direita me salvará, 
o Senhor completará o que em meu auxílio começou. 

Senhor, a vossa bondade é eterna, 
não abandoneis a obra das vossas mãos. 

Evangelho segundo S. João 16,5-11. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Agora vou para Aquele que Me enviou e nenhum de vós Me pergunta: ‘Para onde vais?’.
Mas por Eu vos ter dito estas coisas, o vosso coração encheu-se de tristeza. 
No entanto, Eu digo-vos a verdade: É do vosso interesse que Eu vá. Se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se Eu for, Eu vo-l’O enviarei. 
Quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do julgamento: 
do pecado, porque não acreditam em Mim; 
da justiça, porque vou para o Pai e não Me vereis mais; 
do julgamento, porque o príncipe deste mundo já está condenado». 

domingo, 6 de maio de 2018

Momento de reflexão

  
6º Domingo da Páscoa

São Vicente de Paulo (1581-1660), presbítero, fundador de comunidades religiosas 
Palestra às Filhas da Caridade, 31/07/1634

«O que vos mando é que vos ameis uns aos outros»


A maneira de observardes a vossa regra é viverdes em grande cordialidade e caridade umas com as outras. As pessoas que foram escolhidas para o mesmo exercício devem estar unidas em todas as coisas. Estas filhas foram escolhidas para a realização de um desígnio; mas o edifício não poderá manter-se de pé se não vos amardes umas às outras; será este laço a impedir que ele se desmorone. Disse Nosso Senhor aos apóstolos: «Se quereis cumprir o desígnio que tenho desde toda a eternidade, tende grande caridade». 

Minhas filhas, é verdade que sois enfermas, mas suportai as imperfeições umas das outras. Se não o fizerdes, o edifício desmoronar-se-á e sereis substituídas por outros. E, dado que pode haver antipatias, será bom que troqueis de lugar, com licença das superioras. São Pedro, São Paulo e São Barnabé também tiveram diferendos. Ninguém pode, pois, espantar-se de que os haja entre pobres filhas enfermas. Convém que tenhais a disposição de ir para onde vos ordenarem e mesmo de pedir para tal, dizendo: «Não sou daqui nem dali; sou de onde Deus quiser que eu esteja».