sábado, 23 de maio de 2020

Ascensão do Senhor - Ano A

PRIMEIRA LEITURA
Actos 1, 1-11

«Elevou-Se à vista deles»

Leitura dos Actos dos Apóstolos

No meu primeiro livro, ó Teófilo,
narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar,
desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu,
depois de ter dado, pelo Espírito Santo,
as suas instruções aos Apóstolos que escolhera.
Foi também a eles que, depois da sua paixão,
Se apresentou vivo com muitas provas,
aparecendo-lhes durante quarenta dias
e falando-lhes do reino de Deus.
Um dia em que estava com eles à mesa,
mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém,
mas que esperassem a promessa do Pai,
«da qual – disse Ele – Me ouvistes falar.
Na verdade, João baptizou com água;
vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo,
dentro de poucos dias».
Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar:
«Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?».
Ele respondeu-lhes:
«Não vos compete saber os tempos ou os momentos
que o Pai determinou com a sua autoridade;
mas recebereis a força do Espírito Santo,
que descerá sobre vós,
e sereis minhas testemunhas
em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria,
e até aos confins da terra».
Dito isto, elevou-Se à vista deles
e uma nuvem escondeu-O a seus olhos.
E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava,
apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco,
que disseram:
«Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu?
Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu,
virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».

Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL
46 (47), 2-3.6-7.8-9

Por entre aclamações e ao som da trombeta,
ergue-Se Deus, o Senhor.

Ou:

Ergue-Se Deus, o Senhor,
em júbilo e ao som da trombeta.

Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o rei soberano de toda a terra.

Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso rei, cantai.

Deus é rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado.

SEGUNDA LEITURA
Ef 1, 17-23

«Colocou-O à sua direita nos Céus»

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios

Irmãos:
O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória,
vos conceda um espírito de sabedoria e de revelação
para O conhecerdes plenamente
e ilumine os olhos do vosso coração,
para compreenderdes a esperança a que fostes chamados,
os tesouros de glória da sua herança entre os santos
e a incomensurável grandeza do seu poder
para nós os crentes.
Assim o mostra a eficácia da poderosa força
que exerceu em Cristo,
que Ele ressuscitou dos mortos
e colocou à sua direita nos Céus,
acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania,
acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo,
mas também no mundo que há-de vir.
Tudo submeteu aos seus pés
e pô-l’O acima de todas as coisas,
como cabeça de toda a Igreja, que é o seu corpo,
a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.

Palavra do Senhor.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
Mt 28, l9a.20b

Ide e ensinai todos os povos, diz o Senhor:
Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.

EVANGELHO
Mt 28, 16-20

«Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra»

croce_vangelo.pngConclusão do santo Evangelho segundo São Mateus.


Naquele tempo,
os onze discípulos partiram para a Galileia,
em direcção ao monte que Jesus lhes indicara.
Quando O viram, adoraram-n’O;
mas alguns ainda duvidaram.
Jesus aproximou-Se e disse-lhes:
«Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra.
Ide e ensinai todas as nações,
baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo,
ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei.
Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».

Palavra da salvação.

sábado, 11 de abril de 2020

Ressuscitou! Aleluia


Jesus Cristo nosso sublime redentor
Celebramos hoje a vossa ressurreição,
Com o coração radiante de emoção,
Abençoados pelo vosso santo amor.

Louvado sejas ó Senhor da humildade,
Onipotente em caridade e perfeição,
Honrando o Pai em gloriosa missão,
Deu a vida para salvar a humanidade.

Jesus Cristo que outra vez ressuscitou
Faz renascer nos corações Vosso amor
Para que Vossa paz enfim possa reinar.

Tende piedade de quem não conhece,
Que o vosso nome é a mais linda prece
Que devemos amar, honrar e glorificar.

Fernando Ilídio


Aos queridos amigos(as) e leitores do Cantinho da Teologia, os votos de Feliz Páscoa e que Jesus Ressuscitado sempre vos abençoe.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Jesus Cristo, A PAIXÃO









Estamos aqui nós, humildes mas resilientes, em frente a vós Senhor,
olhando o Vosso rosto sofredor , mas que seduz,
pensando nesse exemplo de fidelidade ao Pai,
levando com tanta dor e coragem a pesada cruz.

Aqui, contemplando os espinhos ferindo a Tua santa carne
as mãos e pés trespassadas, choramos
deste-nos tudo, vida, amor ,fé, esperança e caridade.
Nós, ingratidão. É a Vossa Paixão, perdoa-nos, nós Te imploramos.

Olhamos nos teus olhos, a Tua boca diz-nos, Coragem!
Continuem! A vossa vida na terra é um caminhar,
uma breve passagem plantada num canteiro.
As flores que desabrocham, para Tu as levares.

Assim as vamos plantando com trabalho e oração,
esperando que nossas lágrimas as reguem humanamente.
As flores vão crescendo ao Sol e procurando
a Luz do Vosso infinito Amor e perdão, simplesmente.

Fernando Ilídio
In Cantinho da Teologia®

segunda-feira, 2 de março de 2020

Quaresma, tempo de conversão


Quaresma, tempo de conversão

A quaresma é o tempo litúrgico mais propicio para a conversão, tempo este, que a Igreja enaltece no sentido de nos preparar para a grande festa da Páscoa. É tempo para nos arrepender dos nossos pecados e de mudar algo em nós para sermos melhores cristãos e podermos viver mais próximos de Cristo.
A Quaresma dura 40 dias; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos. Ao longo deste tempo, sobretudo na liturgia de domingo, fazemos um esforço para recuperar o ritmo e estilo cristão no qual devemos viver como verdadeiros filhos de Deus.
Durante este tempo, Cristo, de forma especial, convida-nos a mudar de vida. A Igreja convida-nos a viver a Quaresma como um caminho à imagem de Jesus Cristo, escutando a Palavra de Deus, orando, compartilhando com o próximo e praticando as boas obras. Convida-nos a viver uma série de atitudes cristãs que nos ajudam a parecer mais com Jesus Cristo, já que por acção do pecado, afastamos-nos
mais de Deus.
Por isso, a Quaresma é o tempo do perdão e da reconciliação fraterna. Cada dia, durante a vida, devemos retirar dos nossos corações o ódio, o rancor, a inveja, os zelos que opõem o nosso amor a Deus e aos irmãos. Na Quaresma, aprendemos a conhecer e apreciar a Cruz de Jesus. Com isto aprendemos também a tomar a nossa cruz com alegria para alcançar a glória da ressurreição.
A prática da Quaresma data desde o século IV, quando se dá a tendência a constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, ao menos em um princípio, nas Igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma tem sido cada vez mais abrandada no ocidente, mas deve-se observar um espírito penitencial e de conversão.

Fernando Ilídio by Cantinho da Teologia


quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Venerar e Adorar, qual a diferença?

 Para o nosso crescimento como cristãos, é importante entender a diferença entre venerar e adorar.
Venerar e adorar são duas formas de culto presentes na vida da Igreja. Embora elas sejam diferentes, muitos católicos fazem uma grande confusão entre ambas.

Adoração é o culto que prestamos exclusivamente a Deus
“Adorar a Deus é reconhecê-Lo como tal, Criador e Salvador, Senhor e Dono de tudo quanto existe, Amor infinito e misericordioso. ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele lhe prestarás culto’ (Lc 4, 8) – diz Jesus, citando o Deuteronómio (Dt 6, 13)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2096). A adoração é chamada de “culto de latria” (do grego latreou, que significa “adorar”). “Adorar a Deus é reconhecer, com respeito e submissão absoluta, o ‘nada da criatura’” (idem, n. 2097).

Qual é a diferença entre venerar e adorar?
Venerar é o culto prestado aos Santos, às imagens e relíquias que os representam.
Venerar significa honrar; é chamado de “culto de dulia” (do grego douleuo). Também recebe o culto de dulia a Palavra de Deus, ou melhor, os sinais da Palavra de Deus, especialmente a Sagrada Escritura, o evangeliário e o lecionário (estes últimos livros litúrgicos possuem partes da Palavra de Deus contida nas Sagradas Escrituras). Existe também o “culto de hiperdulia”, que é prestado a Nossa Senhora.

A veneração, por sua vez, tem sentido quando se refere a honrar uma pessoa ou um objeto que nos remete a Deus. Claro que, fora do âmbito religioso, existe a prática de venerar e honrar pessoas, lugares entre outros. Porém, a veneração, enquanto culto cristão, não tem outro sentido senão valorizar algo, um sinal que nos remete a Deus e ao Seu chamado de conversão.

A veneração é um culto, muitas vezes, incompreendido pelos protestantes e evangélicos; e muitas vezes, a falta de conhecimento e formação de alguns fiéis católicos em nada ajuda estes nossos irmãos nesse sentido. Contudo, muitas vezes, mesmo sem o saber, eles também veneram sinais que os remetem a Deus, e nisto fazem uma ainda maior confusão.

Confusão de culto
Apegados à Antiga Aliança, os protestantes veneram os sinais próprios dessa fase da Revelação, como a Arca da Aliança, a menorah (candelabro de 7 velas), o Templo de Jerusalém, as pedras da Lei entre outros. Esta contradição só não é mais evidente, porque os grandes sinais da Antiga Aliança quase que desapareceram. A grande confusão no culto deles, no entanto, dá-se em relação à Bíblia.

A Palavra de Deus que adoramos é Jesus, o Verbo Encarnado, Palavra eterna do Pai, Pessoa viva da Santíssima Trindade. A Sagrada Escritura é expressão inspirada e infalível dessa mesma Palavra, mas, mesmo sendo assim, não deixa de ser um livro. Que o leitor preste atenção nesta sutil, mas importantíssima diferença: a Bíblia é Palavra de Deus, mas a Palavra de Deus não é a Bíblia, a Palavra de Deus é Cristo. A Bíblia e seus conteúdos escritos – todos escritos em contextos históricos específicos, culturais, geográficos, sociais, entre outros, devem ser honrados por nós, venerados pelos cristãos.

Confusão em relação aos santos e imagens.

A Palavra de Deus não se pode apenas restringir a um livro, por mais sagrado que este seja. Esta confusão leva os protestantes a terem uma relação de adoração à Bíblia, o que os faz desprezar as outras fontes de Revelação que Deus deixou para a Sua Igreja. Essa confusão é muito mais nociva à fé do que a confusão feita pelos fiéis católicos em relação aos santos e suas imagens. Isto porque os protestantes o fazem por uma questão de conceito, enquanto os fiéis católicos que fazem essa confusão, fazem-na por ignorância.

Fica evidente a importância de compreender a relação que devemos ter com as coisas santas. Devemos "cultuá-las", porém, da maneira correta. Que os erros não nos desanimem de prestar o devido culto a estes tesouros que Deus deixa no meio dos homens, para que, olhando para eles e os venerando, possamos encontrar a face d’Aquele que é o Único a quem nós adoramos.



Fernando Ilídio in Cantinho da Teologia®
16 de Janeiro e 2020

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Solenidade de São Pedro e São Paulo

PRIMEIRA LEITURA
Actos 12, 1-11
«Agora sei realmente que o Senhor me libertou das mãos de Herodes»
Leitura dos Actos dos Apóstolos
Naqueles dias,
o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja.
Mandou matar à espada Tiago, irmão de João,
e, vendo que tal procedimento agradava aos judeus,
mandou prender também Pedro.
Era nos dias dos Ázimos.
Mandou-o prender e meter na cadeia,
entregando-o à guarda
de quatro piquetes de quatro soldados cada um,
com a intenção de o fazer comparecer perante o povo,
depois das festas da Páscoa.
Enquanto Pedro era guardado na prisão,
a Igreja orava instantemente a Deus por ele.
Na noite anterior ao dia em que Herodes
pensava fazê-lo comparecer,
Pedro dormia entre dois soldados,
preso a duas correntes,
enquanto as sentinelas, à porta, guardavam a prisão.
De repente, apareceu o Anjo do Senhor
e uma luz iluminou a cela da cadeia.
O Anjo acordou Pedro, tocando-lhe no ombro, e disse-lhe:
«Levanta-te depressa».
E as correntes caíram-lhe das mãos.
Então o Anjo disse-lhe:
«Põe o cinto e calça as sandálias».
Ele assim fez.
Depois acrescentou:
«Envolve-te no teu manto e segue-me».
Pedro saiu e foi-o seguindo,
sem perceber a realidade do que estava a acontecer
por meio do Anjo;
julgava que era uma visão.
Depois de atravessarem o primeiro e o segundo posto da guarda,
chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade,
e a porta abriu-se por si mesma diante deles.
Saíram, avançando por uma rua,
e subitamente o Anjo desapareceu.
Então Pedro, voltando a si, exclamou:
«Agora sei realmente que o Senhor enviou o seu Anjo
e me libertou das mãos de Herodes
e de toda a expectativa do povo judeu».
Palavra do Senhor.
SALMO RESPONSORIAL
Salmo 33 (34), 2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 5b)
Refrão: O Senhor libertou-me de toda a ansiedade. Repete-se
A toda a hora bendirei o Senhor,
o seu louvor estará sempre na minha boca.
A minha alma gloria-se no Senhor:
escutem e alegrem-se os humildes. Refrão

Enaltecei comigo ao Senhor
e exaltemos juntos o seu nome.
Procurei o Senhor e Ele atendeu-me,
libertou-me de toda a ansiedade. Refrão

Voltai-vos para Ele e ficareis radiantes,
o vosso rosto não se cobrirá de vergonha.
Este pobre clamou e o Senhor o ouviu,
salvou-o de todas as angústias. Refrão

O Anjo do Senhor protege os que O temem
e defende-os dos perigos.
Saboreai e vede como o Senhor é bom:
feliz o homem que n’Ele se refugia. Refrão
SEGUNDA LEITURA
2 Tim 4, 6-8.17-18
«Já me está preparada a coroa da justiça»
Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo
Caríssimo:
Eu já estou oferecido em libação
e o tempo da minha partida está iminente.
Combati o bom combate,
terminei a minha carreira,
guardei a fé.
E agora já me está preparada a coroa da justiça,
que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia;
e não só a mim, mas a todos aqueles
que tiverem esperado com amor a sua vinda.
O Senhor esteve a meu lado e deu-me força,
para que, por meu intermédio,
a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada
e todos os pagãos a ouvissem;
e eu fui libertado da boca do leão.
O Senhor me livrará de todo o mal
e me dará a salvação no seu reino celeste.
Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Amen.
Palavra do Senhor.
ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO
Mt 16, 18
Refrão: Aleluia. Repete-se

Tu és Pedro
e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Refrão
EVANGELHO
Mt 16, 13-19
«Tu és Pedro e dar-te-ei as chaves do reino dos Céus»
croce_vangelo.pngEvangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe
e perguntou aos seus discípulos:
«Quem dizem os homens que é o Filho do homem?».
Eles responderam:
«Uns dizem que é João Baptista,
outros que é Elias,
outros que é Jeremias ou algum dos profetas».
Jesus perguntou:
«E vós, quem dizeis que Eu sou?».
Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse:
«Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».
Jesus respondeu-lhe:
«Feliz de ti, Simão, filho de Jonas,
porque não foram a carne e o sangue que to revelaram,
mas sim meu Pai que está nos Céus.
Também Eu te digo: Tu és Pedro;
sobre esta pedra edificarei a minha Igreja
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus:
tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus,
e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».
Palavra da salvação.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

A missão e formação dos leigos.

Porto, 03 de Junho de 2019 

Fernando Ilídio é teólogo leigo, casado e tem uma filha. Formado em Teologia pelo Centro de Cultura Católica do Porto, exerceu vários serviços pastorais na Paróquia de Matosinhos, de onde é natural. 

O caminho a percorrer no estudo da Teologia

Teólogo leigo: Fernando Ilídio 
Ilídio: é muito natural o leigo procurar formação, conhecimento, um curso de Teologia para a sua preparação pode ser uma mais-valia. A ideia de um leigo atuar mais na formação e na pesquisa teológica é algo a ser estudado. Na Europa, temos muitos exemplos de leigos e leigas na procura de uma formação teológica. A minha experiência vem da minha prática no serviço eclesial. Venho da Pastoral da Litúrgica. Tive uma formação muito forte pela participação em alguns grupos.
Por inspiração num Diácono, amigo meu e da família, fiz o curso de Teologia no Centro de Cultura Católica do Porto. Fui com intuito de aprender mais e crescer, mas também pela sede de querer aprender mais que fiz o curso. A Teologia é um universo encantador e apaixonante. Quanto mais se mergulha, mais nos encanta com as verdades que vamos descobrindo nas dúvidas e nas incertezas da fé, nas dúvidas e incertezas da nossa própria vida.

A Igreja a partir do Concílio Ecuménico Vaticano II
Ilídio: há muitas visões de Igreja atrás desta ou daquela proposta sem se dar conta do que se pensa. A proposta do Concílio e dos documentos que remontam à discussão é uma Igreja dialogante, aberta, com atitude voltada para o bem comum e um horizonte pautado pela prática do Reino no serviço. Uma formação teológica cristã para um agente da pastoral e qualquer fiel da Igreja, ou qual for a vocação, deve levar à condução de um cristão melhor, coerente.
O intimismo afasta e é contrário ao evangelho, atrapalha na evangelização. É bom olhar para nós mesmos e para a nossa comunidade e exercer o nosso sentido profético de chamar a atenção e falar. Sei que não é fácil chamar a atenção do olhar para a realidade da nossa vida. Se a formação que eu recebo não me leva a olhar o outro e a servir, essa formação é mesquinha e danosa e não visa o bem comum.
A Igreja precisa pensar a formação nas diversas vocações e olhar aquilo que é especifico de um homem e de uma mulher nas diferenças, que são uma riqueza. Existe uma beleza na teologia e na vida da Igreja, trazida por aqueles que são ordenados, mas também existe uma beleza e uma riqueza naqueles que são da vida consagrada e uma beleza e uma riqueza naqueles que, como eu, são leigos. Cada um tem o seu jeito próprio de ser Igreja no contexto da proposta do Concílio Vaticano II.
O Concílio muda a concepção pastoral e mudou a questão doutrinária da Igreja. Verificamos isso na Lumen Gentium, que antes via a Igreja como uma espécie de pirâmide. O Papa, os bispos, padres, diáconos e os leigos em baixo. E a vida consagrada, com um grau de santidade, que se retirava para oração e contemplação; enquanto os leigos estavam, numa linguagem popular, longe do sagrado. Estavam no mundo profano e no meio dos perigos. O Concílio definiu a Igreja como Povo de Deus e define o papel dos ordenados, do leigo e da vida consagrada.
A santidade compete a toda Igreja. Não podemos trazer uma disputa de classes para dentro da Igreja. A Igreja não pode ser uma democracia em que todos tenham voz ao mesmo tempo. Não pode ser uma monarquia a onde alguém decide sozinho. A Igreja tem que ser uma Koinonia, ou seja, uma comunhão que sabe comungar uma causa comum com diferentes frentes e realidades. Trazemos para dentro da Igreja problemas que não são propriamente dela, mas da nossa sociedade. Por exemplo, a discriminação da mulher que ocorre na sociedade e também na Igreja.

Participação feminina na Igreja
Ilídio: é impossível pensar a Igreja Portuguesa e fora dela sem considerar o aspecto feminino, que tem um forma própria de ser. Para mim, o modelo da Igreja foi a minha avó. Aquilo que fui, que sou e experimento sempre vêm-me as lembranças das suas palavras. Nos momentos de crise ela dizia-me: ‘espera um pouquinho’. ‘Não é por aí, espera’. Com um olhar atento e preocupante de uma mãe. Um movimento defende a hierarquização da mulher na elevação do ministério ordenado. Vejo como favorável a ordenação de mulheres. Mas há também uma matriz teológica que diz que não. São horizontes de discussão que a Teologia pode continuar a contribuir, mesmo depois do estudo já realizado pelo Santo Padre.
Nem sempre a elevação ao ministério ordenado feminino é ser equiparado a mesma posição e ao mesmo trabalho que a ordenação masculina. Nas cartas do Apóstolo São Paulo vemos as diaconisas. Há um risco quando se quer apenas colocar a elevação ao ministério. Isso pode fazer desaparecer aquilo que é mais belo na mulher: sua feminilidade. A sua forma própria de ser mulher. O desafio no que toca à mulher é garantir a presença dela como mulher. Quando falo de mulher é refiro-me aquelas que são de maior número e sustentam o dia-a-dia de muitas comunidades de fé. Suportam e sustentam muitas crises de fé. Aquelas que estão na base das estruturas e que têm a coragem e audácia do amor à causa que representa, ao exemplo de Maria, nossa Senhora e nossa Mãe.

A Postura do leigo na Igreja
Ilídio: não sou da vida consagrada, não sou padre. Sou leigo. Sou casado e tenho uma filha. Fiz esta opção na minha vida. A expressão ‘leigo’ é muito usada dentro da Igreja Católica. Nas outras igrejas cristãs aqueles que não são pastores e não têm uma liderança não são chamados de leigos. Têm outras nomenclaturas, como, por exemplo, povo e fiéis. Não se diferencia muito o tratamento e as atitudes. Há em algumas comunidades uma percepção mais ativa e em outras mais passiva dessa definição de leigo. O teólogo alemão Karl Rahner, na sua defesa do laicato, dizia que aquele leigo que exerce uma liderança ou um ministério de formação na liturgia não é mais leigo, ele já faz parte de uma estrutura hierárquica. Embora eu não concorde com Karl Ranner na totalidade, pois com a ideia dele se diz que tal categoria é menor ou maior que o todo.

As dificuldades enfrentadas pelos leigos 
Ilídio: as dificuldades da vida tocam os leigos e deixam marcas podendo ser a força na esperança que sustenta a fé. A pessoa só sobrevive na fé a partir da força de Deus, a partir daquilo que acredita, procura, almeja e espera. As dificuldades todas que nos cercam, tanto na vida pessoal como na vida eclesial, podem ser uma força e um degrau para nos fortalecer na fé. Se os leigos soubessem a força que tem a sua fé transformariam toda a sociedade.
Nenhuma mudança virá de cima nem eclesiologicamente e politicamente. Toda e qualquer mudança começa de baixo. É necessário recuperar o sentido da fé como Igreja, o sentido da fé na sociedade em conjunto. Vivemos hoje uma prática religiosa muito individualista, pessoal e cada um por si. O que é próprio do mundo moderno. Mas o que poderemos oferecer de melhor no sentido comunitário e partilhar o mesmo pão?

Os Leigos protagonistas na Igreja
Ilídio : se formos leigos e leigas e quisermos ter algo a mais e um espaço, teremos que lutar por este espaço. Existem circunstâncias que devemos dialogar mais e lutar menos. E outras, lutar mais e dialogar menos para mostrar que se existe. Contudo, a causa não é própria, mas da Igreja. Precisamos abrir mais portas e não fechar as poucas portas que temos. O protagonismo é uma conquista. A mentalidade do leigo que temos hoje é do próprio leigo e também da própria estrutura. Porque Francisco, enquanto Papa, quando é ele, ele é solto, mas quando está preso às estruturas sente-se engessado.

Novos modelos de família hoje
Ilídio: olhando para a família de Nazaré, que informações podemos colher da situação da jovem Maria? Uma jovem de 15 anos, grávida fora do casamento. A nossa sociedade trataria de que maneira esta menina? De José não sabemos quase nada. Diz-se que era um homem justo. Se ele morreu, se se divorciou ou abandonou, pela Bíblia, não sabemos nada. O que nós sabemos vem um pouco da relação que Jesus tem com Deus. Jesus chama Deus de Abba, que quer dizer Pai. Uma tese que eu trago e se os exegetas não concordam eu peço desculpas: se o pai terreno de Jesus não tivesse sido um pai bondoso, amoroso e justo, jamais Jesus chamaria Deus de Pai. Um judeu jamais chamaria Deus de paizinho.
Num trabalho com crianças em situação de vulnerabilidade social, se elas não receberam amor e carinho do pai e da mãe, estas terão uma dificuldade imensa de entender um Deus que é amor, um Deus que é Pai. Pedagogicamente recomenda-se que, nas escolas, celebrem o Dia da Família e não o Dia dos Pais e Mães. Nem todas as crianças têm uma situação familiar da mesma maneira. Para não excluir, mas incluir de maneira mais aberta. Na família de Nazaré temos Jesus que, na juventude, vai embora de casa, que "luta" com a religião e a sociedade da época e é morto como um criminoso. Esta é a família de Nazaré. Esta família poderia participar nas nossas comunidades? Receber os sacramentos? Ter acesso às questões pastorais? Não seríamos nós aqueles donos das hospedarias das portas fechadas para a família que bate? Olhando intrinsecamente para a família de Nazaré podemos encontrar ali uma realidade muito presente de modelo de família hoje. Não é a família que tem que ser plena. É Deus que é pleno, justo, é a graça que se faz presente. Aonde há amor, Deus ali está.

A Evangelização nos dias atuais
Ilídio: às vezes enfeitam em demasia os discursos para deixá-los mais bonitos, mas o conteúdo é velho e não corresponde com a Boa Nova. Parece que o deixamos velho com a nossa maneira de agir. Por vezes embeleza-se muito e não se traz uma reflexão nova. Assusta-me muito o discurso de alguns movimentos mais rígidos na educação moral da juventude. Este é um fenómeno pós-moderno em que a juventude se vê complexa e se agarra a religiosidade rígida como segurança. Há uma sede de formação, de fé e de procura. Se esta sede não for bem ouvida, o alimento que é dado pode embriagar e não sustentar. Se não tiver um planeamento e uma articulação daquilo que é oferecido, a sede e a fome vão continuar.
A crítica é sempre bem-vinda, sobretudo, para quem se coloca na disposição de refletir teologicamente. As ciências sociais e humanas podem contribuir e melhorar a nossa formação. Não só o estudo da Filosofia e a Teologia, mas outras ciências para poder evangelizar. Também as novas questões que envolvem a bioética devem fazer parte da reflexão das pessoas de fé. Uma formação integral deve contemplar todas as realidades.
Vou dar um exemplo simples. Numa formação para o Matrimónio, a pessoa chega com a Humanae Vitae e limita-se, nesta formação, no que o casal pode ou não pode fazer e esquece outros documentos do Magistério e do Vaticano II, que tratam da consciência da pessoa. Ter um olhar responsável na própria sociedade é levá-la a esta compreensão. Se tivermos uma evangelização fixada em proibições no que se pode ou não pode ou obedecer cegamente sem entender as razões eclesiásticas isso não é uma formação. Não é uma formação integral e nem específica, que não contribui na evangelização e nos seus processos.

Papa Francisco e uma Igreja ‘em saída’
Ilídio: isto não é novo na Igreja, o Papa São João Paulo II e os documentos do Celam já tratavam disso. Mas o Papa Francisco fala num tom novo e diferente. Ele sabe que sua eleição como pontífice está ligada à renúncia do Papa Bento XVI e aos problemas que a Igreja vinha enfrentando até então. Ele fala para mudar o pensamento clericalista e o uso dos espaços pelo poder que se tem. É preciso mudar esta estrutura. É exatamente isto que o Papa tem vindo a dizer. Esta mentalidade está em toda a Igreja desde os cardeais até o povo.
Muitas estruturas eclesiásticas agem como se Deus não existisse e como se o mistério revelado não acontecesse. Agem como que aquilo que vemos no evangelho fosse algo lá traz, do passado, e não nos toca mais na vida. A nossa fé diz-nos que Deus nos amou tanto e se fez carne, morreu e ressuscitou. Isso deveria ser o gás da nossa vida nas mais diversas questões humanas. Temos muitas estruturas administrativas e poucas missionárias, vocacionais e pastorais. A ideia é chocar para que se possa mostrar que alguns modelos de Deus devem morrer e o Deus verdadeiro aparecer.

Fernando Ilídio in Cantinho da Teologia®